Brasil, 2 de janeiro de 2026
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Trump ordena investigação de frigoríficos nos EUA por preços altos da carne

Casa Branca mira JBS, Marfrig, Cargill e Tyson Foods por suposto cartel que elevou preços ao consumidor

O presidente Donald Trump solicitou ao Departamento de Justiça dos Estados Unidos que investigue frigoríficos do país, incluindo a JBS, controlada pela Marfrig, Cargill e Tyson Foods, por suposta formação de cartel que estaria encarecendo os preços da carne. A iniciativa foi divulgada na sexta-feira (7) pela Casa Branca, em meio a acusações de concentração de mercado e práticas anticompetitivas.

Alto domínio e acusações de manipulação de preço

Segundo estudo do Departamento de Agricultura dos EUA (USDA) de 2024, essas quatro empresas controlam cerca de 85% do mercado de carne bovina no país. A Procuradora-Geral Pamela Bondi afirmou que o processo já está em andamento e que as investigações buscam verificar possíveis violações às leis antitruste, como a fixação de preços ou limitação da produção, prejudicando pecuaristas e consumidores.

O governo norte-americano aponta que, entre 1980 e 1990, a participação desses frigoríficos no mercado aumentou de um terço para mais de 80% do rebanho nacional, o que, segundo o comunicado oficial, resultou na exploração de agricultores, pecuaristas e consumidores.

Reclamações do setor e impacto na cadeia produtiva

O Meat Institute, entidade que representa empresas como Tyson e JBS nos EUA, afirmou que o setor vem operando com perdas há mais de um ano devido à queda na quantidade de bois disponíveis e à alta demanda. “Apesar dos preços elevados ao consumidor, os processadores estão perdendo dinheiro por causa do valor recorde do gado”, declarou em nota.

A entidade destacou que o mercado de carne é altamente regulado e que os dados do USDA confirmam perdas que devem perdurar até 2026. Ainda assim, o setor defende que o preço ao consumidor reflete a própria demanda e condições de mercado.

Contexto de escassez e tarifas elevada

Os estoques de gado nos EUA atingiram o nível mais baixo em quase 75 anos devido à seca prolongada, que encolheu os pastos e elevou os custos de alimentação. Além disso, a suspensão da importação de gado mexicano, devido a preocupações sanitárias, restringiu ainda mais a oferta local. Desde maio, o país também impõe tarifa de 50% sobre produtos brasileiros, incluindo carne.

O Brasil, maior exportador de carne para os EUA, representa uma significativa fonte de suco para a indústria norte-americana, especialmente para hambúrgueres e alimentos processados. Mesmo assim, a demanda interna faz com que os EUA continuem importando o alimento, elevando os preços ao consumidor final.

Reações do setor pecuarista e embates políticos

Pecuaristas americanos têm criticado Trump, especialmente após o presidente sugerir a importação de carne bovina da Argentina para diminuir os preços internos. Na visão dos produtores, a proposta representa uma ameaça à sua lucratividade, que se beneficia atualmente com a alta nos valores do gado e forte demanda de mercado.

Em resposta às críticas, Trump ressaltou que os lucros dos pecuaristas se justificam graças às tarifas impostas ao Brasil e outros parceiros comerciais, afirmando: “Os pecuaristas, que eu amo, não entendem que a única razão pela qual estão indo bem, pela primeira vez em décadas, é porque eu impus tarifas sobre o gado que entra nos EUA, incluindo uma tarifa de 50% sobre o Brasil”.

A investigação oficial busca esclarecer se as empresas envolvidas violaram leis de competição e como sua atuação impactou o preço final do produto no mercado americano.

Para acompanhar mais detalhes sobre a investigação e suas possíveis consequências, acesse o site do G1.

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