A crise no controle de tráfego aéreo nos Estados Unidos se intensificou nesta semana, com o presidente da União dos Controladores Aéreos alertando sobre desligamentos e cansaço extremo devido à paralisação do governo há 37 dias. Segundo Nick Daniels, muitos profissionais estão se aposentando ou abandonando o trabalho, prejudicando a segurança e a operação nos aeroportos.
Controladores deixam cargos por impacto do shutdown
Daniels afirmou que o número de controladores aéreos já está 400 abaixo do registrado em 2019, durante a última paralisação semelhante. “Estamos vendo controladores resignando. Eles não aguentam mais a pressão, a exaustão e a incerteza de quando receberão seus salários novamente”, disse à CNN. A falta de funcionários ameaça a segurança dos voos e aumenta a sobrecarga dos que permanecem no cargo.
Crise de exaustão e condições precárias no setor
Os controladores que continuam operando afirmam estar trabalhando até seis dias por semana, com jornadas de 10 horas, o que aumenta o risco de erros e acidentes. “Eles estão exaustos, e muitos são jovens, recém-formados, que precisam escolher entre pagar contas, cuidar dos filhos ou continuar na profissão”, explicou Daniels. Ele também destacou que muitos controladores estão recorrendo a empréstimos e dificuldades financeiras extremas.
Risco de “sickouts” e protestos silenciosos
Embora a Paralisação de trabalhadores, conhecida como “sickout”, tenha ajudado na resolução da greve em 2019, hoje não há evidências de que isso esteja acontecendo, afirmou Daniels. “As pessoas não estão simplesmente faltando ao trabalho de propósito; estão impossibilitadas de manter a rotina devido à falta de pagamento e estresse.”
Consequências na operação aérea
Devido às dificuldades, a Administração Federal de Aviação (FAA) teve que limitar o tráfego em mais de 40 aeroportos para garantir operações seguras. A administração Trump também começou a limitar voos em certas regiões, alegando necessidade de aliviar a congestão, enquanto democratas criticam essa medida como tentativa de pressionar por um acordo.
Segundo a FAA, os próprios funcionários não estão sendo respondidos com detalhes sobre o número de controladores que deixaram seus cargos desde o início do shutdown, devido à suspensão das atividades normais durante a paralisação e às dificuldades de comunicação. “Há uma escassez crescente de pessoal, o que força o sistema a reduzir o fluxo de tráfego para preservar a segurança”, informou a agência por e-mail.
Impacto e próximos passos
Especialistas alertam que a situação deve piorar se o impasse político continuar. A paralisação do governo impede a liberação de recursos essenciais para resolver a crise, enquanto os controladores enfrentam uma crescente pressão financeira e emocional. “Se não houver uma solução rápida, o risco de acidentes aumenta e a segurança do transporte aéreo fica comprometida”, alertou um analista de aviação.
O Congresso e a Casa Branca permanecem divididos, sem sinais claros de quando um acordo será fechado para encerrar o shutdown, que já afeta milhões de trabalhadores federais e a infraestrutura do país.

