Brasil, 14 de janeiro de 2026
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Spotify enfrenta processo por algoritmo que favorece hits

Gigante do streaming é acusado de manipular visibilidade de artistas em troca de remuneração menor por stream.

O Spotify, gigante do streaming, está enfrentando uma ação judicial nos Estados Unidos por causa do seu recurso Modo Descoberta. Esta ferramenta, que promete mais visibilidade para artistas em troca de uma remuneração menor por stream, foi acusada de ser uma versão digital da antiga “payola” — conhecida no Brasil como “jabá” — prática de pagar para tocar que já foi proibida no rádio do país desde o caso do radialista Alan Freed (1921-1965).

O que é o Modo Descoberta?

O Modo Descoberta do Spotify foi introduzido como uma maneira de ajudar novos artistas a ganhar notoriedade na plataforma. No entanto, a prática gerou polêmica ao sugerir que artistas e gravadoras que aceitam receber menos por suas músicas têm mais chance de aparecer em playlists populares. Isso, segundo críticos, cria um cenário em que o sucesso não é apenas determinado pelo talento, mas também pela disposição de abrir mão de ganhos financeiros.

Implicações jurídicas e financeiras

As informações, publicadas pela Billboard e apresentadas pelo site Moneyhits, trazem à tona a crítica central onde o algoritmo estaria favorecendo quem aceita receber menos, criando um sistema onde a exposição depende de concessões financeiras. Para o mercado, isso levanta questões sobre transparência, concorrência e ética na distribuição de conteúdo.

Do ponto de vista financeiro, o caso é relevante. Se a justiça decidir contra o Spotify, a empresa pode enfrentar multas, mudanças regulatórias e revisão de contratos com artistas e gravadoras. Além disso, o processo reacende o debate sobre como plataformas digitais monetizam atenção e visibilidade — ativos cada vez mais valiosos.

Uma das implicações mais significativas é a possibilidade de um impacto negativo na reputação da marca. O Spotify, que se posicionou como uma plataforma que apoia artistas independentes, pode ser visto agora como uma empresa que prioriza lucro em detrimento da equidade e da justiça no mercado musical.

Os impactos para artistas e investidores

Para artistas, é um lembrete de que nem todo destaque vem só do talento. Em um ecossistema musical cada vez mais saturado, os novos artistas podem se sentir compelidos a aderir a essa prática para conseguir visibilidade. Isso pode limitar a diversidade musical, já que somente aqueles dispostos a abrir mão de uma parte significativa de sua remuneração terão a chance de se destacar.

Por outro lado, para investidores, o processo é um alerta sobre os riscos regulatórios em modelos baseados em algoritmos. À medida que as preocupações legais aumentam, o Spotify pode enfrentar um reexame da sua estratégia de monetização, afetando sua capacidade de gerar lucros no futuro. A situação torna-se ainda mais crítica em um mercado que exige maior transparência e responsabilidade nas práticas de negócios.

A necessidade de maior transparência

À medida que o mercado exige mais clareza, o Spotify terá que provar que seu algoritmo não está desafinando com a justiça. Essa situação também pode levar outras plataformas de streaming a reavaliar suas práticas, à medida que a pressão por justiça e transparência se intensifica. Caso contrário, o setor musical pode enfrentar um movimento significativo por parte de artistas e consumidores que buscam um modelo mais justo e ético.

No fim das contas, o resultado desse processo pode não apenas alterar o futuro do Spotify, mas também moldar o futuro da indústria da música como um todo. O que está em jogo é mais do que apenas o algoritmo de uma singela plataforma; é a forma como a música é consumida e monetizada na era digital.

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