A produção industrial brasileira apresentou uma redução de 0,4% em setembro, na comparação com agosto, conforme dados divulgados nesta terça-feira pelo IBGE. O resultado ficou dentro das expectativas do mercado e reforça a tendência de desaceleração da economia neste segundo semestre de 2025. Apesar da piora, as expectativas de inflação continuam em queda, aproximando-se do teto da meta de 4,5%, segundo o Boletim Focus, com a diferença atualmente de 0,05 ponto percentual.
Setor industrial perde força e influência do cenário externo
O setor industrial foi o primeiro a sentir os efeitos do aumento da taxa de juros e também sofreu impacto recente com o tarifamento dos Estados Unidos, o que levou à perda de cerca de 15 mil vagas de emprego, de acordo com levantamento do G1. Ainda assim, a atividade industrial responde por 51% das emissões de gases de efeito estufa no país, destacando o desafio do Brasil na questão ambiental, especialmente na pecuária.
Para a economista do C6 Bank, Claudia Moreno, o Banco Central pode, em algum momento, suavizar o discurso ao reconhecer melhorias na economia, mas deve manter cautela ao manter a taxa de juros em patamar elevado por um período prolongado, com projeções de redução a partir do primeiro trimestre de 2026.
Expectativas do mercado sobre política monetária
De acordo com Luís Otávio Leal, economista-chefe da G5 Partners, a indústria foi o setor mais impactado pelo aumento de juros, e a tendência de desaceleração mencionada pelos comunicados do BC tem se confirmado. Pesquisas com empresários indicam pessimismo e redução nos planos de ampliação da produção, que não registra crescimento desde março.
O posicionamento do Banco Central, cuja taxa Selic permanece em 15%, deve depender de indicadores como inflação corrente, expectativas de inflação e mercado de trabalho. A estabilidade do emprego, embora positiva, ainda mantém a inflação de serviços em torno de 6%, o que impede mudanças mais bruscas na política monetária, avalia a economista Claudia Moreno.
Perspectivas e desafios futuros
Segundo especialistas, se o BC reconhecer avanços na inflação e nas expectativas, o tom do comunicado pode se tornar menos hawkish, indicando uma eventual redução dos juros. Caso contrário, o discurso continuará mais restritivo, refletindo a cautela diante da desaceleração econômica e dos indicadores de inflação.
O cenário econômico, com dificuldades na indústria e avanços na redução das emissões, demonstra a complexidade do momento atual do Brasil. A decisão do Copom será acompanhada de perto pelos agentes do mercado, que aguardam sinais do Banco Central sobre a condução futura da política monetária.














