Na última semana, a Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do INSS convocou o alfaiate João Camargo, conhecido por seu trabalho com celebridades e políticos, para esclarecer seu envolvimento em um esquema que desviou mais de R$ 6,3 bilhões destinados a beneficiários do INSS. Camargo, que possui uma longa trajetória no ramo da confecção de ternos de alto padrão, é suspeito de ter recebido R$ 24 milhões de uma das associações investigadas pela Polícia Federal (PF), a Amar Brasil.
O escândalo revelado
A situação se agravou quando documentos apresentados na comissão mostraram que a MKT Connection Group, empresa de consultoria fundada por Camargo e da qual ele é o único sócio, recebeu a quantia milionária da Amar Brasil. De acordo com os registros, entre dezembro de 2022 e abril de 2025, foram notificadas 65 transações entre as duas entidades, das quais 54 tiveram como destino a MKT Connection Group.
Os números são alarmantes: enquanto a empresa de Camargo recebeu R$ 24,3 milhões, também foram enviados R$ 784,5 mil para a Amar Brasil. Esse troca frequente de valores levantou sérias questões sobre a legalidade das transações.
Defesa de Camargo e impactos da investigação
Procurada para comentar sobre os acontecimentos, a defesa de João Camargo negou qualquer irregularidade. “A MKT Connection sempre agiu dentro da legalidade e a investigação servirá para esclarecer que não houve qualquer desvio”, afirmaram seus representantes legais. No entanto, a repercussão do caso é vasta e indica o envolvimento de diversos outros indivíduos no suposto esquema de desvios.
Quem são os envolvidos?
Cinco ex-sócios de Camargo na Kairos Representações LTDA, empresa criada recentemente e encerrada poucos meses depois, também estão sendo investigados. Entre eles, perfis que se destacam, como Felipe Macedo Gomes, que é apontado como dirigente da Amar Brasil, e Américo Monte Junior, que possui ligação com outras associações investigadas.
A convocação de todos os envolvidos para prestar esclarecimentos na CPI já gera um clima de expectativa tanto no meio político quanto entre os cidadãos. As investigações visam esclarecer detalhes sobre a origem e os destinatários dos recursos desviados, além de possíveis complicidades de outras instituições.
A trajetória de João Camargo
João Camargo, aos 50 anos, é um alfaiate respeitado no mercado, com uma carreira que começou em sua infância. Conhecido por vestir personalidades importantes, como o apresentador Silvio Santos e o ator Bruno Gagliasso, ele já tinha um ateliê em Brasília e atualmente possui uma loja em São Paulo. O envolvimento de um profissional renomado em um esquema de corrupção levanta questões sobre a integridade do setor de moda e confecção no Brasil.
Se confirmado o envolvimento de Camargo e outros na fraude, o escândalo poderá ter repercussões significativas, não apenas na política, mas também na imagem de diversas entidades ligadas ao INSS e à área da moda. As próximas semanas serão cruciais para entender a profundidade deste caso.
Próximos passos da investigação
A CPI do INSS deverá se aprofundar nas investigações e convocar novos depoimentos que podem trazer à tona ainda mais informações sobre o esquema. Os cidadãos aguardam ansiosamente por esclarecimentos e responsabilização daqueles que, supostamente, se beneficiaram de maneira indevida dos recursos destinados a aposentados e pensionistas.
Este caso emblemático serve como um lembrete da necessidade de vigilância sobre a utilização de recursos públicos e o compromisso das autoridades em combater a corrupção em todas as suas formas.
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