O teatro brasileiro está em ebulição após a recente polêmica envolvendo Mateus Solano, de 44 anos, e o modo como o ator lidou com um espectador usando o celular durante uma apresentação de seu espetáculo “O Figurante”. O veterano Miguel Falabella, de 69 anos, não hesitou em compartilhar sua perspectiva sobre o ocorrido, observando que a situação “extrapolou” os limites aceitáveis.
A situação controversa
Durante uma apresentação no dia 14 de outubro, em Santa Rosa, no Rio Grande do Sul, Solano, ao notar que um espectador estava distraído com o celular, decidiu intervir, pegando o aparelho e colocando-o sob a poltrona do espectador. O ato gerou reações diversas, com muitos na plateia considerando a atitude inadequada. A princípio, Solano foi acusado de ter dado um tapa no celular, mas posteriormente desmentiu a acusação, esclarecendo que apenas retirou o celular da vista do público.
“Eu só peguei e coloquei debaixo da poltrona”, ressaltou Mateus Solano em um pronunciamento posterior, defendendo seu gesto como uma tentativa de preservar a atenção do público durante a peça. Esta não é a primeira vez que Solano se manifesta contra o uso de aparelhos móveis durante suas apresentações. Em outras ocasiões, ele já havia criticado o uso de celulares no teatro.
Miguel Falabella e sua abordagem
Em uma participação no programa “Angelica Ao Vivo”, exibido pelo GNT, Miguel Falabella comentou a polêmica com muito bom humor, revelando como ele lida com situações semelhantes no palco. Falabella explicou que prefere interromper a peça e falar diretamente com o espectador que está distraído, como fez em sua parceria com a atriz Marisa Orth.
“Teve essa polêmica com o Mateus Solano, que se extrapolou, e tirou [da mão do espectador]. Mas eu paro sempre [a peça]”, declarou Falabella, reconhecendo a dificuldade que os atores enfrentam com a atenção do público nas salas de espetáculo. Ele compartilhou um episódio em que foi igualmente confrontado por um espectador assistindo ao WhatsApp durante uma apresentação sua.
“Teve uma pessoa que comprou um ingresso no setor VIP do teatro, o mais caro, e outro dia a mulher estava vendo o WhatsApp. Pedi licença à Marisa e falei: ‘Você não prefere ver o WhatsApp lá no foyer?’”, relembrou, ressaltando que o foco do público é essencial para a magia do teatro.
A repercussão nas redes sociais
A polêmica ganhou ainda mais corpo nas redes sociais, onde internautas debateram extensivamente sobre o direito do artista de manter a atenção do público. A discussão intensificou-se, gerando postagens de apoio e crítica tanto a Mateus Solano quanto àqueles que estavam do lado do espectador. Para alguns, a intervenção de Solano era justificada, enquanto outros a consideravam uma violação da liberdade daquele que pagou para estar na plateia.
Miguel Falabella deixou claro que, apesar de toda a situação, o respeitável atuante na arte deve ter jogo de cintura para lidar com esse tipo de situação. “Quem for ver Marisa Orth e Miguel Falabella no teatro, se eu pegar com o celular, vai ficar vendido na plateia”, brincou, ressaltando que cada artista deve achar sua maneira de conviver com a distração no palco.
O desafio do uso de celulares no teatro
O uso de celulares nas apresentações teatrais se tornou um tema frequente nas discussões sobre comportamento em espaços culturais. O diretor e atores têm enfrentado desafios para manter a atenção do público, especialmente em uma era onde a tecnologia permeia todos os aspectos da vida cotidiana. Esta situação levanta questões sobre como os artistas e o público podem se adaptar para garantir uma experiência enriquecedora no teatro.
A abordagem de Miguel Falabella, com sua experiência e humor, oferece um ponto de vista interessante sobre como lidar com a desatenção do público. Com a sua volta ao horário nobre da Globo na nova trama “Três Graças”, escrita por Aguinaldo Silva, é provável que Falabella levante mais discussões sobre o equilíbrio entre a arte e as novas tecnologias.
À medida que o teatro brasileiro continua a evoluir, é vital que se mantenha um diálogo aberto sobre o comportamento dos espectadores e como os artistas podem interagir com eles para criar uma atmosfera mais respeitosa e atenta. Afinal, o encantamento do teatro está na conexão entre o ator e o espectador, algo que merece ser preservado em cada apresentação.

















