A Polícia Civil do Piauí está no centro de uma polêmica envolvendo a Prefeitura de Teresina. A instituição solicitou que a gestão municipal apresente os valores das emendas destinadas à cultura durante o mandato do ex-prefeito Dr. Pessoa (PRD). Essa ação faz parte da Operação Interpostos, que investiga um suposto esquema de lavagem de dinheiro ligado a contratos de serviços culturais na cidade.
Detalhes da investigação
A confirmação da solicitação foi feita pelo delegado Ferdinando Martins, chefe do Departamento de Combate à Corrupção (Deccor). Ele afirmou que no dia 14 de outubro, a polícia cumpriu um mandado de busca e apreensão no escritório de Stanley Freire, ex-presidente da Fundação Municipal de Cultura Monsenhor Chaves (FMC). Além dele, dois ex-vereadores de Teresina também estão sendo investigados.
A Polícia Civil não divulgou detalhes sobre a data da solicitação nem se há um prazo estipulado para a entrega das informações. O g1 tentou contato com a Prefeitura de Teresina, mas ainda aguarda um retorno ao pedido de esclarecimento.
Operações em andamento: Interpostos e Gabinete de Ouro
A investigação da Operação Interpostos está pela primeira vez ligada à Operação Gabinete de Ouro, que também apura um esquema de lavagem de dinheiro durante a gestão de Dr. Pessoa. Esta operação anterior resultou na prisão temporária de quatro pessoas. As duas ações investigativas concentram-se na movimentação financeira atípica que aconteceu em períodos específicos, levantando suspeitas sobre a origem do dinheiro e sua destinação.
Movimentações financeiras suspeitas
De acordo com o delegado, a investigação foca especialmente nas transações financeiras atribuídas a dois ex-parlamentares. Um deles movimentou aproximadamente R$ 5 milhões em 2022 e, no intervalo de 2020 a 2023, a quantia totalizou cerca de R$ 14 milhões. Essas movimentações levantam indícios de que um empresário, que também é ex-parlamentar, firmou contratos com a administração pública utilizando intermediários. Tal prática pode esconder a verdadeira titularidade do patrimônio, levando a indícios de irregularidades.
Posicionamento da defesa
Em meio a todo esse cenário, o advogado de Stanley Freire, Deomar Fonseca, assegurou que foram fornecidos todos os esclarecimentos e documentos que comprovam a legalidade das movimentações financeiras que estão sob investigação. “Estamos aguardando a análise do que foi apreendido, acreditamos que nada de ilícito será encontrado”, declarou o advogado.
Outro membro da defesa, Lúcio Tadeu, expressou sua insatisfação com a operação: “Não entendemos o motivo dessa ação, pois todos os questionamentos do inquérito já foram justificados”, disse.
Repercussão e próximos passos
A situação provoca um clima de incerteza e expectativa não apenas entre os envolvidos, mas também na população de Teresina, que observa atentamente a situação da administração pública e como as investigações podem impactar na credibilidade das gestões futuras. A sociedade civil aguarda o andamento das investigações e espera que as autoridades competentes tratem a questão com a seriedade que o caso requer.
Conforme a investigação avança, novos desdobramentos provavelmente surgirão, e os cidadãos interessados em compreender a dinâmica política da capital piauiense devem se manter informados. O portal g1 continuará acompanhando e reportando as atualizações acerca deste caso, que pode ter ramificações significativas na política local.
Enquanto isso, a Câmara Municipal de Teresina pode ter seu papel revisitado neste contexto, especialmente em relação à apreciação e aprovação das emendas culturais que frequentemente envolvem um grande montante de dinheiro público. A transparência e a accountability são essenciais para a restauração da confiança da população nas instituições públicas.
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