A inflação brasileira continuou surpreendendo positivamente nesta mês, com o IPCA-15, antecipado para outubro, desacelerando para 0,18%, frente a 0,48% de setembro. A estimativa do mercado, segundo o Valor Data, era de 0,24%, reforçando a tendência de queda. Economistas afirmam que, apesar do avanço, ainda há pouco otimismo sobre a inflação fechar o ano dentro do teto da meta de 4,5%.
Perspectivas de queda na inflação
No Boletim Focus, divulgado pelo Banco Central, a projeção do IPCA foi reduzida pelo quarto semana consecutiva, agora apontando para 4,7%. Essa tendência de melhora deve se manter até o final do ano, reforçando a expectativa de que a inflação fechará próximo do limite inferior da meta.
Principais fatores contribuintes
A maior redução registrada neste mês ocorreu no grupo de Artigos de residência (móveis, roupas, etc.), que caiu 0,64%, contribuindo de forma significativa para o recuo do índice. Além disso, o setor de alimentação apresentou queda pelo quinto mês consecutivo, de 0,10%, acumulando uma redução de 2,37% em cinco meses.
Para o pesquisador do FGV Ibre, Matheus Dias, a redução do preço da gasolina e a perspectiva de manutenção da bandeira verde na tarifa de energia também colaboram para o controle da inflação.
Impacto dos preços de combustíveis e energia
Segundo especialistas, a redução do preço da gasolina, anunciada pela Petrobras, terá impacto mais efetivo a partir de novembro. Além disso, a diminuição de 1,09% na tarifa de energia elétrica, devido à mudança na bandeira tarifária, deve contribuir para uma inflação ainda menor neste mês.
A projeção do Banco Central indica que o IPCA deve ficar em torno de 0,20% neste mês, o que reforça a expectativa de que a inflação encerrará o ano em cerca de 4,5%. Para o economista Alexandre Maluf, da XP, é possível que o índice fique até um pouco abaixo do teto da meta, destacando que há possibilidade de o IPCA de 2025 ficar em torno de 4,4% a 4,6%.
Perspectivas para o próximo ano
Maluf afirma que existe a probabilidade de a inflação ficar abaixo de 4,5%, o que poderia evitar penalizações futuras por parte do Banco Central. No entanto, o cenário ainda apresenta incertezas, especialmente em relação à dinâmica da economia para o próximo ano.
O especialista admite que o Banco Central deve iniciar o ciclo de corte de juros em dezembro, enquanto outros economistas, como Carlos Lopes, do banco BV, acreditam que essa redução começará apenas no primeiro trimestre de 2026.
Itens que mais impactaram a inflação de outubro
- Cebola: -7,65%
- Ovo de galinha: -3,01%
- Arroz: -1,37%
- Leite longa vida: -1,00%
- Óleo de soja: 4,25%
- Frutas: aumento de 2,07%
Embora alguns alimentos tenham tido queda de preços, a atenção permanece voltada para as carnes e frutas, que registraram variações diferentes devido a fatores sazonais e possíveis acordos comerciais. A expectativa é que a inflação de alimentos continue sob controle, ajudando a manter a trajetória de desaceleração do índice.
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