A influenciadora digital Melissa Said, que conquistou mais de 300 mil seguidores ao discutir o uso de maconha, foi presa em Salvador na última quinta-feira (23) em uma operação da Polícia Civil. Melissa, que se descreve como “ervoafetiva”, afirmou que sua prisão é uma “vergonha” e negou suas acusações de tráfico de drogas e apologia ao uso de entorpecentes.
Prisão e acusações
Melissa foi detida em uma casa no bairro de Itapuã, após ser foragida por um dia. Sua prisão ocorreu durante a “Operação Erva Afetiva”, que mira um suposto grupo criminoso vinculado ao tráfico interestadual de drogas e lavagem de dinheiro. Durante uma coletiva, a influenciadora declarou: “Ninguém no mundo deveria ser preso por fumar maconha” e reafirmou que não haveria tráfico, se posicionando como usuária.
Após ser interrogada no Departamento Especializado de Investigação e Repressão ao Narcotráfico (Denarc), Melissa foi encaminhada ao Conjunto Penal Feminino, onde aguardará audiência de custódia. A polícia alegou que a influenciadora é uma das articuladoras do grupo mencionado, insinuando que sua presença nas redes sociais facilitou o transporte e o consumo de drogas.
Investigações e desdobramentos
As investigações em torno de Melissa Said começaram em 2024. Ela é suspeita de orientar os seguidores sobre como evitar a atuação policial durante o transporte de drogas. Em um ato controverso durante o Natal, Melissa distribuiu “kits” com cigarros de maconha, promovendo seu conteúdo de maneira provocativa.
Além de Melissa, duas outras pessoas foram presas em Lauro de Freitas e outras em São Paulo, totalizando ao menos quatro detenções relacionadas à operação. Mandados de busca e apreensão foram cumpridos em diversos endereços, onde a polícia encontrou pequenas porções de drogas e telefonemas que serão analisados.
Segundo o diretor do Denarc, delegado Ernandes Júnior, as investigações continuam para identificar outros possíveis envolvidos e esclarecer todos os detalhes do caso. “Estamos utilizando várias diligências e trabalho de inteligência para dar continuidade ao processo e localizar a foragida”, disse o delegado.
Histórico e conexão com a comunidade
Melissa Said, também conhecida por sua ligação com o falecido influenciador Tássio Barcelar, conhecido no meio por seu conteúdo sobre maconha, começou a produzir suas postagens em 2022. Barcelar, que acumulou 700 mil seguidores antes de sua morte em 2023, era tatuador e teve várias figuras públicas como clientes.
A morte de Tássio, que ocorreu em decorrência de um acidente de bicicleta, impactou profundamente Melissa, que dedicou homenagens públicas ao marido nas redes sociais, mostrando-se abalada e emocionada. Assim, seu envolvimento na temática das drogas é não apenas um aspecto de sua carreira, mas também de sua vida pessoal.
Implicações sociais e reflexões
A detenção de Melissa Said acende um debate relevante sobre o uso da maconha e suas implicações legais no Brasil. Em um país onde a discussão sobre a legalização ainda é polarizada, a influência de personalidades como Melissa nas redes sociais pode ser vista tanto como um catalisador para o debate quanto um elemento controverso dentro de uma narrativa mais ampla sobre consumo de drogas.
Enquanto a sociedade avança em sua discussão sobre o tema, o caso de Melissa Said chamará atenção. Existe um certo receio sobre como essa situação pode influenciar a percepção pública em relação aos usuários e à legalização da maconha, especialmente em uma era onde a desinformação ainda prevalece.
O futuro de Melissa e suas consequências
Para a influenciadora, o futuro é incerto. Com sua audiência e imagem agora sob intensa investigação, resta saber como esses desdobramentos afetarão sua carreira e se ela conseguirá reconstruir sua presença nas redes sociais após esse embate jurídico. A sociedade e seus seguidores acompanharão não apenas o desenrolar do caso, mas também o impacto que isso terá na discussão em torno do uso de maconha no Brasil.
O caso de Melissa Said serve, portanto, como um lembrete das complexidades entre influência digital, crime e a luta por uma maior liberdade no uso de substâncias que, segundo muitos, não deveriam ser criminalizadas.

