Brasil, 31 de agosto de 2025
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Estudante brasileiro morre na Bolívia após surto psicótico

Igor Rafael Souza, 32 anos, perdeu a vida em Santa Cruz de La Sierra. Família acredita em truculência de seguranças durante surto.

No dia 26 de agosto, a tragédia atingiu a família de Igor Rafael Oliveira Souza, um estudante de medicina de 32 anos que faleceu em Santa Cruz de La Sierra, na Bolívia. Igor, que morava no país desde 2015, estava no último período do curso e havia enfrentado problemas de saúde mental, incluindo depressão e uso de drogas. A polícia boliviana investiga as circunstâncias de sua morte, que, segundo a família, pode ter ocorrido em decorrência de um surto psicótico.

Momentos antes da tragédia

Imagens de câmeras de segurança captaram a última passagem de Igor antes de sua morte. Ele foi visto entrando em uma papelaria visivelmente desorientado. Alguns minutos depois, outro registro mostrou Igor caído na calçada, já sem vida. A filmagem levanta a possibilidade de asfixia como causa do falecimento, conforme mencionado por uma autoridade não identificada. A família acredita que Igor, em um estado de pânico, tenha sido seguido por guardas de uma escola alemã. A mãe de Igor, Neidimar Oliveira, conta que ele estava pedindo ajuda e que a situação culminou em sua morte devido ao uso excessivo da força pelos seguranças.

A luta pela assistência consular

O Ministério das Relações Exteriores do Brasil declarou estar ciente do caso e prestar assistência consular, mas não ofereceu detalhes sobre o apoio específico nem se irá custear o traslado do corpo. O consulado-geral do Brasil em Santa Cruz de La Sierra é o responsável por acompanhar a situação.

Confrontada com a necessidade de trazer o corpo de Igor de volta ao Brasil, a família de Igor, que reside no Gama, no Distrito Federal, planeja viajar à Bolívia para lidar com os trâmites burocráticos. Neidimar, sua mãe, luta não apenas contra a dor da perda, mas também contra as dificuldades financeiras. O custo para trazer Igor de volta ao Brasil ultrapassa R$ 26 mil, um valor que a família não pode arcar sozinha. Até o momento, uma vaquinha online realizada por amigos e vizinhos arrecadou pouco mais de R$ 4,5 mil.

Reformas nas regras de custeio de translado de corpos

Após a morte da estudante Juliana Marins, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva alterou recentemente um decreto que proíbe o governo federal de custear o traslado de corpos de brasileiros falecidos no exterior. As novas regras são mais flexíveis e permitem que custos sejam cobertos em casos de extrema dificuldade financeira, mortes que causam comoção social e respaldadas por autorização orçamentária.

As condições incluem a necessidade de comprovar a incapacidade financeira da família, a não cobertura por seguros e que o incidente tenha gerado grande comoção. A legislação anterior limitava a assistência consular à supervisão em acidentes, hospitalizações, falecimentos e prisões, mas não cobria despesas relacionadas ao sepultamento ou traslado.

Caminhos para Justiça

Enquanto a família enfrenta este difícil momento, recrudescem perguntas sobre o uso de força letal em situações de crise emocional. O envolvimento de seguranças em ações que resultem em morte levanta questões éticas e jurídicas sobre a segurança pública na Bolívia e a necessidade de treinamentos adequados em manejo de crises.

A ex-namorada de Igor, que também lhe prestou apoio na Bolívia, revelou que os guardas chegaram a amarrar os braços do estudante na tentativa de controlar a situação. A queixa de que ele já estava sem pulsação ao chegar a ambulância borbulha no contexto do debate sobre os limites da ação de forças de segurança em casos de surto psicótico.

Enquanto as investigações prosseguem e a família busca respostas, o caso de Igor Rafael suscita uma reflexão urgente sobre saúde mental, crise emocional e a responsabilidade dos agentes de segurança em situações de vulnerabilidade. Na busca por justiça e respostas, espera-se que infortúnios como este não sejam esquecidos e que sirvam de ponto de partida para mudanças significativas no tratamento e apoio às pessoas que enfrentam doenças mentais.

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