Brasil, 31 de agosto de 2025
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O crescimento da monetização do ódio na era digital

Relatório revela como grupos extremistas lucram com ódio e extremismo na internet, aproveitando-se da relaxação na moderação das plataformas.

Nos últimos anos, a disseminação de discursos de ódio na internet tem se tornado não apenas mais comum, mas também mais rentável. Uma pesquisa recente realizada pela Foundation to Combat Antisemitism (FCAS) destaca como grupos extremistas estão aproveitando a tecnologia e a falta de rigor na moderação por parte das empresas de tecnologia para monetizar suas mensagens de ódio.

O crescimento do ódio online

De acordo com o relatório da FCAS, os esforços de monetização do ódio que outrora eram restritos a cantos obscuros da internet agora estão se infiltrando em plataformas mainstream, como criptomoedas, crowdfunding, streaming ao vivo e merchandising. A FCAS, uma organização sem fins lucrativos fundada pelo proprietário do New England Patriots, Robert Kraft, afirma que “a pipeline do ódio monetizado agora passa diretamente por plataformas populares — alcançando audiências mais amplas e criando incentivos financeiros para que outros se unam a essa causa.”

Este fenômeno é evidente mesmo em plataformas que possuem políticas contra discursos de ódio. Um relatório do Center for Countering Digital Hate revelou que, mesmo após YouTube banir o influenciador Andrew Tate, muitos de seus vídeos continuam ativos e gerando receita através de anúncios, alcançando quase 54 milhões de visualizações.

Monetização em diversas plataformas

Grupos extremistas e neonazistas têm encontrado formas de monetizar suas mensagens em diversas plataformas, como Roblox e Instagram, que atraem um grande público jovem. Além do discurso de ódio, observam-se também preocupações sobre o uso da internet para facilitar a violência, uma vez que as operações de financiamento do terrorismo se tornam cada vez mais sofisticadas e abrangentes.

Um relatório recente do Financial Action Task Force alertou sobre os riscos crescentes de financiamento ao terrorismo, destacando a dificuldade de diversos países em compreender essas tendências e responder efetivamente. A combinação de discursos de ódio e financiamentos irregulares potencia o problema, fazendo com que esses grupos se tornem mais resilientes online.

Impacto das criptomoedas

A popularidade das criptomoedas se mostra um campo fértil para grupos extremistas. A FCAS identificou que, além de moedas de memes, outros tokens têm surgido para lucrar com atos de violência, como foi o caso de moedas associadas a indivíduos envolvidos em crimes de ódio. Adam Katz, presidente da FCAS, afirmou que a falta de regulamentação e a capacidade de alcance internacional das criptomoedas se tornaram uma grande preocupação, com um aumento significativo na atividade dessas moedas em comparação com anos anteriores.

“Estamos vendo muito mais atividade hoje do que há um ano ou mesmo seis meses atrás”, disse Katz. “Além disso, a proliferação na criação de moedas se intensificou, pois muitos grupos perceberam que era possível monetizar e começaram a imitar essas iniciativas.”

A falta de moderação nas plataformas

Embora tenha havido esforços temporários para combater discursos de ódio nas plataformas de tecnologia, como Google e Facebook, a pressão política sobre essas empresas diminuiu drasticamente nos últimos anos, especialmente com o aumento da administração de Donald Trump. A mudança na abordagem das empresas culminou na reintegração de extremistas e na redução das ações de moderação, o que, na visão de muitos especialistas, foi um divisor de águas no combate ao extremismo online.

O impacto das inovações recentes, como a inteligência artificial generativa, agrava ainda mais a situação, permitindo que grupos extremistas criem propaganda e conteúdo ofensivo de maneira mais rápida e eficaz. Tal-Or Cohen Montemayor, fundadora da CyberWell, destacou que a monetização do ódio online tem se intensificado desde a reestruturação das plataformas após a aquisição de Elon Musk no Twitter, agora chamado de X.

Conclusão

Com os discursos de ódio se tornando parte do conteúdo mainstream e tecnologias cada vez mais populares sendo utilizadas para promover esses ideais, a luta contra o extremismo e a monetização do ódio na internet se torna cada vez mais complexa. A sociedade precisa estar atenta a esses fenômenos e exigir maior responsabilidade e transparência das plataformas digitais.

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