As investigações recentes das operações que apuram os tentáculos financeiros do PCC, incluindo empresas da Faria Lima, não representam risco imediato para os investimentos no mercado financeiro, de acordo com especialistas ouvidos pelo GLOBO. Isso porque os fundos mencionados na investigação são de grande porte e possuem patrimônio separado, o que minimiza possíveis impactos diretos.
Segurança dos fundos e impacto na confiança
Segundo Felipe Prado, sócio de Mercado Financeiro e de Capitais do escritório BMA, os fundos sob investigação fazem parte do segmento voltado para investidores com alto patrimônio. “Ainda que o grupo financeiro Reag Investimentos tenha sido citado, os demais fundos administrados por ele não estão atingidos. Os fundos sempre têm patrimônio separado”, afirmou Prado.
Ele acrescentou que, caso haja uma crise de confiança entre os investidores, estes podem resgatar suas cotas ou trocar de gestor, mas essa não é uma consequência imediata. “Gestor e administrador são prestadores de serviço, dá para substituir, mas não enxergo efeito imediato no patrimônio dos outros fundos”, completou.
Diferenças entre bancos e fintechs e regulação do mercado
Sobre a atuação das fintechs, Prado explicou que, com o avanço das plataformas digitais, ficou mais fácil investir nesses fundos, mas esse movimento não abriu brechas para práticas ilícitas. Para ele, os crimes investigados são “caso de polícia” e não há falta de regulação. Pelo contrário, a atuação da Comissão de Valores Mobiliários (CVM) e as regras de autorregulação da Anbima são exemplos de rigor na fiscalização.
Prado também destacou que o setor de fundos é bem estruturado, com um patrimônio total de cerca de R$ 10 trilhões geridos por 32,6 mil fundos no Brasil, dos quais apenas uma pequena fração — cerca de R$ 30 bilhões — está sob investigação.
Consolidação do mercado de fundos e regulação
A indústria de fundos é considerada uma das mais sólidas do mercado de capitais brasileiro, submetida a regras rígidas e controles que são referências internacionais, como afirmou a Anbima. A entidade reforça que os fundos investigados representam uma minoria e que a maior parte do setor mantém uma postura de transparência e segurança.
Investidores pequenos devem buscar orientação de nomes confiáveis ao escolher onde aplicar seus recursos, avaliando a pulverização e a quantidade de participantes nos fundos, conforme recomenda Marcelo d’Agosto, especialista em finanças. “Quanto mais pulverizado, tende a ser melhor, pois há mais escrutínio”, explica.
Regulação e educação financeira
Segundo a Anbima, a regulamentação do setor tem avanços constantes, com o objetivo de proteger os investidores. A entidade destaca também seu compromisso com a educação financeira, ressaltando que uma maior compreensão dos produtos é essencial para a tomada de decisões conscientes.
Mais detalhes sobre o funcionamento da indústria de fundos e a regulação no Brasil podem ser esclarecidos através de [Perguntas e Respostas](https://oglobo.globo.com/economia/noticia/2025/08/29/o-que-muda-para-os-clientes-de-fintechs-com-nova-regulamentacao-veja-perguntas-e-respostas.ghtml) e demais análises especializadas.