Ao contrário de seu primeiro mandato, caracterizado por surpresa e resistência interna, Trump inicia seu segundo período com uma agenda incisiva para ampliar seu poder executivo e minar as instituições de oposição, como o Federal Reserve.
Diferenças entre os mandatos de Trump
No primeiro mandato, Trump enfrentou dificuldades internas devido à falta de uma equipe preparada, além de resistências internas de republicanos tradicionais que sabotaram suas propostas. Neste segundo mandato, ele chega mais preparado, acreditando que derrotará Biden e mantendo a expectativa de que sua influência será maior na Casa Branca.
Estratégia de controle e combate às instituições
As ações de Trump visam ampliar seu controle sobre o Executivo, buscando fortalecer sua posição frente ao Congresso e ao Judiciário, além de enfraquecer as bases da oposição em instituições como universidades, mídia e ONGs. A estratégia, segundo analistas, mostra sinais de ter uma lógica gramsciana, de minar as bases culturais e institucionais adversárias.
Reformas econômicas e Tarifas
Trump mantém a visão de que as tarifas comerciais devem recair sobre exportadores estrangeiros, sem impacto inflacionário, embora especialistas alertem que aumentos tarifários certamente elevariam a inflação. Após sua ameaça de demitir Jerome Powell, atual presidente do Fed, por causa da política de juros, os mercados reagiram negativamente, levando à sua reconsideração.
Reformas no Fed e disputas políticas
A nomeação de membros no comitê do Fed tornou-se palco de estratégias políticas. A saída de Adriana Krueger, nomeada por Biden, abriu espaço para Trump tentar influenciar a composição do órgão, que atualmente conta com integrantes indicados tanto por Trump quanto por Biden. A tentativa de substituir Lisa Cook, nomeada por Biden, por uma possível indicação favorável ao presidente é vista como uma manobra para garantir maioria no comitê, antes mesmo de sua saída prevista de Jerome Powell, em 2026.
Impeachment e influências jurídicas
O episódio envolvendo a acusação de fraude contra Lisa Cook, com Trump solicitando sua renúncia e tentando demiti-la por “justa causa”, reacende debates sobre a independência do Fed. A legislação americana garante autonomia, mas também permite ao presidente demitir membros por razões justificáveis, o que consequência deve ser avaliada pelo Supremo Tribunal.
Reações do mercado e perspectivas
Apesar das tensões institucionais, os mercados aparentam estar mais tranquilizados, refletindo a expectativa de que o Poder Judiciário limitará os excessos do Trump. O avanço na política de redução de juros pelo Fed, sinalizado por Powell, também contribui para essa estabilidade relativa.
Futuro político e institucional
A disputa pelo controle do Fed é uma das principais fronteiras do embate político de Trump. Sua estratégia de influência no órgão econômico dos EUA revela uma tentativa de consolidar um poder que desafia a tradição de independência dessas instituições. A decisão do Supremo e a continuidade do cenário político determinarão o impacto final dessa estratégia.
Para mais detalhes, consulte a análise completa em O Globo.