Brasil, 30 de agosto de 2025
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Violência contra LGBTQIAPN+: dados mostram vulnerabilidade de pretos e trans no Piauí

A violência contra a população LGBTQIAPN+ no Piauí atinge principalmente negros, trans e homossexuais, segundo novo relatório da Segurança Pública.

No Piauí, a violência contra a população LGBTQIAPN+ é alarmante, sendo mais severa entre grupos vulneráveis, como pessoas pretas, transexuais e homossexuais. Os dados são do 3º Boletim de Dados de Violência Contra a População LGBTQIAPN+, divulgado na última sexta-feira (29) pela Secretaria de Segurança Pública do Piauí (SSP-PI). Este relatório não apenas documenta a violência, como também propõe um olhar crítico sobre a urgência de políticas públicas eficazes para proteger esses grupos.

Um cenário preocupante

A sigla LGBTQIAPN+ representa um leque de identidades de gênero e orientações sexuais, incluindo lésbicas, gays, bissexuais, transexuais, queer, intersexo, assexuais e pansexuais, entre outros. O boletim, desenvolvido em parceria com o Grupo de Pesquisa em Geografia Humana e Valorização do Espaço da Universidade Estadual do Piauí (Uespi), analisou 958 casos envolvendo 808 vítimas. Os resultados revelam uma preocupação crescente com a violência direcionada a estas comunidades em áreas periféricas, já que a maioria das agressões e crimes ocorre em bairros como Centro, Cabral e Vermelha, em Teresina.

Tipos de crimes e perfil das vítimas

Em 2024, os crimes mais registrados contra a população LGBTQIAPN+ foram o estelionato (16,91%), ameaça (15,14%) e furto (13,88%). Essa mudança nos dados em relação a 2023 sugere não apenas uma alteração no padrão da violência, mas também uma maior visibilidade e registro desses crimes. O boletim também indicou seis crimes violentos letais intencionais: dois homicídios e quatro feminicídios, sendo um transfeminicídio e três lesbofeminicídios. A maioria dos feminicídios ocorreu no âmbito domiciliar, enquanto os homicídios se deram em espaços públicos, demonstrando a complexidade dos fatores que subjascem a violência.

Perfil das vítimas

Os dados também revelam o perfil das vítimas: 73,3% eram pessoas negras (pretas e pardas) e a faixa etária mais afetada varia de 21 a 40 anos, com uma média de 32 anos e um pico na faixa dos 26 aos 30 anos. A maioria das vítimas se declarou homossexual (78%), sendo 44,14% gays, e uma significativa parcela se apresenta como solteira (73,9%) e possui ensino médio completo (38,89%).

Particularmente, pessoas transexuais e travestis enfrentam um número desproporcional de agressões físicas e ameaças. Em contraste, lésbicas, gays e bissexuais sofrem mais com crimes contra a honra e ataques virtuais, incluindo injúrias, difamações e invasões de suas privacidades online.

Locais e a repetição da violência

Os dados da SSP-PI mostram que a violência contra a população LGBTQIAPN+ é recorrente em locais específicos. Além da concentração em Teresina, cidades como Parnaíba, Campo Maior, Piripiri e Miguel Alves também são apontadas como regiões críticas. Justamente em Teresina, foram registrados 512 dos 958 crimes, destacando a repetição de áreas como Angelim, Fátima e Parque Ideal como focos principais de violência.

Esse fenômeno evidencia que a violência não é um evento aleatório, mas sim um padrão que se perpetua, exigindo atenção das autoridades e da sociedade civil para a criação de um ambiente mais seguro e respeitoso para todos.

Segundo as autoridades, é essencial que medidas efetivas sejam implementadas para coibir essa violência, especialmente em relacionamentos lésbicos, que até agora têm sido historicamente ignorados. O relatório carrega não apenas estatísticas, mas a voz de uma comunidade que clama por justiça e respeito à sua dignidade.

Com essas evidências em mãos, a espera é por uma resposta contundente da sociedade e do governo, que deve se unir para garantir a proteção e promoção de direitos a esses grupos vulneráveis. O Boletim é um passo importante nessa direção, mas a luta ainda está longe de acabar.

Para mais informações, acesse a reportagem completa no G1 Piauí.

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