Na celebração anual em 29 de agosto, a Igreja lembra a decapitação de João Batista, cuja localização exata de sua cabeça permanece incerta, alimentando debates e venerações ao redor do mundo.
Locais associados à relíquia de João Batista
Atualmente, quatro locais aparecem frequentemente ligados à possível guarda da cabeça do santo: o Museu Residenz, em Munique; a igreja de San Silvestro em Capite, em Roma; a Catedral de Amiens, na França; e, de forma singular, a Mesquita dos Omíadas em Damasco, Síria. Contudo, não há provas conclusivas que confirmem sua permanência em qualquer um desses sítios.
A história da Mesquita dos Omíadas em Damasco
Antes de se tornar uma mesquita, o local foi um templo dedicado ao deus da fertilidade Hadad há cerca de 3 mil anos. Com a conquista romana, foi construído um grande templo dedicado a Júpiter, que posteriormente foi convertido em igreja no século IV, durante o domínio do império bizantino.
Segundo registros históricos do século XII, durante as obras de construção da mesquita, trabalhadores encontraram uma relíquia de João Batista em uma caverna sob um dos pilares previstos. A relíquia foi remostrada no local, e uma capela dedicada ao santo foi incorporada ao complexo, que hoje mistura elementos de fé cristã e islâmica.

Este local sagrado é hoje considerado por muçulmanos como um dos espaços onde repousa a cabeça de João Batista, um profeta reconhecido tanto no Islã quanto no Cristianismo por sua sinceridade e piedade.
De templo pagão a símbolo religioso
O edifício tem uma história anterior ao Islã, datando de aproximadamente 1.000 anos antes de Cristo, como templo dedicado ao deus Hadad. Durante o domínio romano, um templo dedicado a Júpiter foi erguido no local. Com a cristianização da região, no século IV, parte da estrutura foi convertida em igreja.
Com a invasão árabe em 635, a igreja foi transformada na Mesquita dos Omíadas, que, segundo relatos históricos, preservou a relíquia de João Batista sob o altar principal, reforçando o vínculo entre fé cristã e muçulmana nesta região.
Rapidamente, a relíquia na história muçulmana e cristã
Durante a construção da mesquita pelo califa omíada al-Walid I, a descoberta da relíquia foi considerada um momento importante, sendo posteriormente reenterrada em um local marcante. A presença da relíquia reforçou a veneração mútua e o significado do espaço para ambas as religiões.
Hoje, além de um importante marcador histórico, a mesquita mantém uma simbologia de diálogo inter-religioso. Em 2001, o Papa João Paulo II visitou Damasco e rezou no local dedicado a João Batista, evidenciando a importância compartilhada entre cristãos e muçulmanos.
Perspectivas futuras e o debate sobre a relíquia
Apesar de toda a história, a localização exata da cabeça de João Batista continua sendo um mistério, incentivando estudiosos e fiéis a explorar as possibilidades e o significado da veneração neste espaço sagrado. O simbolismo do local simboliza a união de duas tradições religiosas e a memória de um profeta que transcende fronteiras.