A inflação na economia dos Estados Unidos apresentou um leve aumento em julho, de acordo com o índice de preços preferido do Federal Reserve. Esse movimento sugere que as tarifas impostas pelo presidente Donald Trump estão influenciando o cenário econômico do país.
Aumento no índice de preços ao consumidor
O índice de preços do consumo pessoal (PCE) revelou que a inflação básica, que não considera os custos de alimentos e energia, teve um crescimento ajustado sazonalmente de 2,9% em relação ao ano anterior. Esse valor apresenta um aumento de 0,1 ponto percentual em relação a junho, representando a maior taxa anual desde fevereiro. Esses dados estão em linha com as previsões feitas pelo Dow Jones.
Em comparação ao mês anterior, o índice PCE básico subiu 0,3%, também dentro das expectativas dos analistas. O índice geral, que inclui todos os itens, registrou uma taxa anual de 2,6% e um aumento mensal de 0,2%, seguindo o consenso do mercado.
O Federal Reserve considera o índice de preços PCE como sua principal ferramenta de previsão, embora analistas avaliem que a inflação básica é um indicador mais confiável das tendências de longo prazo, uma vez que elimina a volatilidade de itens como combustíveis e alimentos.
Expectativas para a política monetária
O banco central norte-americano busca manter a inflação em torno de 2%, portanto o relatório divulgado na última sexta-feira indica que a economia ainda está distante do ponto considerado confortável. Apesar disso, as expectativas do mercado indicam que o Fed deve retomar a redução de sua taxa de juros de referência na próxima reunião, em setembro.
O governador do Fed, Christopher Waller, reforçou seu apoio a cortes durante uma fala na quinta-feira, afirmando que consideraria uma redução maior se os dados do mercado de trabalho continuassem a mostrar fraqueza. “O Fed abriu a porta para os cortes de juros, mas o tamanho dessa abertura dependerá de se a fraqueza do mercado de trabalho parece um risco maior do que o aumento da inflação”, disse Ellen Zentner, estrategista econômica chefe da Morgan Stanley Wealth Management. “Atualmente, as chances ainda favorecem um corte em setembro.”
Impacto das tarifas de importação
Em abril, Trump impôs uma tarifa básica de 10% sobre todas as importações e, desde então, implementou tarifas recíprocas sobre múltiplos parceiros comerciais, além de taxas sobre produtos específicos. O governo também eliminou exceções para mercadorias de até US$ 800.
Além das movimentações inflacionárias, os gastos do consumidor cresceram 0,5% no mês, conforme as previsões, o que indica uma resistência da economia mesmo diante do aumento nos preços. A renda pessoal aumentou 0,4%, completando um relatório em que todos os números atenderam as expectativas do consenso.
Após a divulgação dos dados, os futuros do mercado de ações permaneceram negativos, enquanto os rendimentos dos títulos do Tesouro mantiveram ganhos. As cifras de inflação foram controladas por uma queda de 2,7% nos preços de bens e serviços relacionados à energia. Os preços dos alimentos, por sua vez, subiram 1,9% em relação ao ano anterior, enquanto os preços dos serviços aumentaram 3,6%, comparados a um aumento de apenas 0,5% nos bens.
Comportamento dos preços em julho
No balanço mensal, os preços da energia caíram 1,1%, e os alimentos registraram uma redução de 0,1%. Já os preços dos serviços aumentaram 0,3%, o que essencialmente contabilizou todo o aumento mensal, já que os preços dos bens diminuíram 0,1%.
A elevada variação nos preços reflete a dinâmica complexa do mercado americano, que envolve fatores globais, políticas internas e consumismo. Acompanharemos as próximas decisões do Federal Reserve e suas repercussões no cenário econômico do país.