Goiânia – A Polícia Civil de Goiás (PCGO) prendeu em flagrante, nessa quarta-feira (27/8), a proprietária de uma clínica de reabilitação em Caldas Novas, acusada de sequestro, cárcere privado e maus-tratos a pacientes. A ação foi motivada por uma denúncia feita por um membro do Ministério Público de Goiás (MPGO), que verificou irregularidades como o funcionamento do estabelecimento sem alvará dos órgãos de postura e vigilância sanitária.
Denúncias de abusos e irregularidades
De acordo com relatos dos pacientes, a maioria deles composta por idosos, dependentes químicos e pessoas com deficiência mental, muitos foram internados contra a própria vontade, sem qualquer ordem judicial ou parecer jurídico. Essas informações levantam sérias questões sobre a ética e a legalidade do funcionamento da clínica.
A situação dos internos
Os internos, que foram deslocados de municípios como Itumbiara e Goiatuba, e até de estados como Minas Gerais e São Paulo, descreveram um ambiente de abusos. Relataram que eram obrigados a ingerir medicamentos que afetam a capacidade física e sensorial, com o objetivo de prevenir tentativas de fuga. Dormindo em quartos com as portas trancadas, muitos deles estavam na clínica há mais de um ano e assinaram, forçadamente, termos de internação voluntária.
Intervenção e apoio às famílias
Segundo o delegado Ramos, a PCGO já entrou em contato com alguns familiares dos internos para informar sobre a situação. O Centro de Referência Especializado de Assistência Social (Creas) está auxiliando na busca por um ambiente seguro e no retorno dos pacientes que não foram recolhidos por seus familiares ou que não tinham condições econômicas de retornar aos seus municípios de origem.
Repercussões e reflexões sobre a situação
Esse episódio levanta alarmantes reflexões sobre a necessidade de um controle mais rigoroso das clínicas de reabilitação e a proteção dos direitos dos pacientes, que muitas vezes são vulneráveis e dependentes de cuidados especializado. As denúncias destacam a importância de se assegurar que as instituições que proporcionam tratamento a essas pessoas operem dentro dos limites da legalidade, sempre priorizando o bem-estar e a dignidade humana.
É essencial que haja uma mobilização da sociedade e das autoridades competentes para investigar não apenas esta clínica, mas todas as instituições que lidam com a saúde mental e a reabilitação no Brasil, garantindo que nenhum paciente sofra abusos ou violências como as denunciadas neste caso. A liberdade e a dignidade de cada ser humano devem ser respeitadas, independentemente de suas condições de saúde ou quaisquer outras circunstâncias.
O caso da clínica em Caldas Novas é um chamado à ação, relembrando a todos nós a importância de defender os direitos humanos e a necessidade de uma vigilância permanente sobre as instituições que tratam pessoas em situação de vulnerabilidade.
O cenário revela um sistema que, muitas vezes, falha em proteger aqueles que mais precisam. Assim, seguimos atentos ao desdobramento das investigações e às providências que serão tomadas para garantir a segurança e o bem-estar dos internos e a responsabilização dos envolvidos.
Para mais informações sobre o caso e outros assuntos relacionados, confira nossa cobertura contínua e os relatos impactantes dos envolvidos.
Fontes: Metropoles