Uma grande força-tarefa envolvendo a Polícia Federal, os Ministérios Públicos Federal e de São Paulo, além das polícias Civil, Militar e a Receita Federal, realizou nesta quinta-feira (29) uma megaoperação contra um esquema criminoso bilionário no setor de combustíveis, sob controle do Primeiro Comando da Capital (PCC).
Desdobramentos da operação e estratégias criminosas
Ao todo, foram cumpridos mandados de busca, apreensão e prisão em oito estados brasileiros, incluindo a região da Faria Lima, centro financeiro de São Paulo, onde estão concentrados 42 alvos. Os policiais recolheram documentos e computadores em empresas, corretoras, fundos de investimento e fintechs suspeitas de integrar o esquema.
A investigação aponta que o grupo sonegou mais de R$ 7,6 bilhões em impostos federais, estaduais e municipais, além de atuar na importação irregular de produtos do setor de combustíveis, como gasolina e etanol. As irregularidades são detectadas em diversas etapas da cadeia de produção e distribuição na tentativa de mascarar as operações ilegais.
Principais empresas envolvidas
Entre os alvos principais estão o Grupo Aster/Copape, responsável por usinas, distribuidoras, postos de combustíveis e a rede utilizada pela facção, além da fintech BK Bank, vinculada a movimentações financeiras não rastreáveis, e o fundo de investimento Reag, usado para compra de empresas e blindagem patrimonial.
Em fato relevante à Comissão de Valores Mobiliários (CVM), a Reag Investimentos, listada como REAG3 na bolsa, confirmou que suas sedes foram alvo de mandados de busca e apreensão. “O procedimento investigativo está em andamento”, afirmou a companhia em nota oficial.
Também teve buscas na Companhia Brasileira de Serviços Financeiros (Ciabrasf), responsável pela gestão de contas não rastreáveis, que declarou estar colaborando com as autoridades e fornecendo as informações solicitadas.
Impacto na legislação e ativos financeiros
A operação reforça o combate às atividades ilícitas do PCC no setor financeiro e de combustíveis, ampliando a atuação de órgãos de fiscalização e controle. A ação visa desarticular estratégias de evasão fiscal e lavagem de dinheiro utilizadas pelo grupo para manter seu poder econômico e operacional no país.
Contexto do enfrentamento ao PCC no setor de combustíveis
Este episódio marca uma nova fase das ações do Estado contra o crime organizado no Brasil, em especial ao desmantelar uma rede que movimentava bilhões de reais de forma ilegal, dificultando ações de fiscalização e aumentando a concorrência desleal no mercado.
“A operação demonstra nosso compromisso de coibir práticas criminosas que prejudicam a economia e os cofres públicos”, declarou o delegado responsável pela investigação, que não teve o nome divulgado. As autoridades continuarão monitorando o setor, com novas ações no horizonte.
Perspectivas futuras e desafios na repressão
Especialistas destacam que a intensificação de ações como essa é essencial para combater a influência do PCC na economia formal e informal. O aperfeiçoamento das estratégias de inteligência policial e o fortalecimento de órgãos fiscais são considerados passos importantes para evitar novas ações criminosas estruturadas na mesma lógica.
A expectativa é de que novas fases da operação sejam realizadas nos próximos meses à medida que as investigações avancem e mais detalhes sobre os integrantes e operações ilícitas sejam esclarecidos.