Brasil, 29 de agosto de 2025
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Homem é condenado a 25 anos por assassinato de passista trans

Marlon Nascimento foi sentenciado pelo homicídio da cantora Amanda de Souza Soares, em crime considerado transfóbico.

A Justiça do Rio de Janeiro condenou Marlon Nascimento da Silva, um repositor de supermercado de 28 anos, a 25 anos de prisão pelo assassinato da cantora e passista trans Amanda de Souza Soares, de 23 anos. O crime brutal, que ocorreu na madrugada de 1º de fevereiro de 2024, em um terreno baldio ao lado da casa da vítima, chocou a comunidade local e reacendeu o debate sobre a violência contra pessoas trans no Brasil.

O crime e sua motivação

As investigações conduzidas pela Delegacia de Homicídios de Niterói e São Gonçalo revelaram que Marlon havia atraído Amanda até o local do crime por meio de mensagens nas redes sociais. Os dois mantinham um relacionamento, e o réu temia que a relação fosse descoberta. Durante o julgamento, o Tribunal do Júri de São Gonçalo considerou Marlon culpado de homicídio quadruplamente qualificado, conforme os seguintes critérios: motivo torpe, meio cruel, traição e feminicídio.

A juíza Juliana Bessa Ferraz Krykhtine lamentou as circunstâncias do assassinato, afirmando que a vítima foi atraída por alguém em quem tinha confiança. Marlon não apenas cometeu o crime, mas também tentou encobrir sua participação, criando um falso álibi e consolando amigos da vítima. A magistrada destacou a falta de respeito pela vida de Amanda e a intenção de confundir as investigações, evidenciando a crueldade do ato.

A trajetória de Amanda de Souza Soares

Amanda de Souza Soares, conhecida artísticamente como “Mandy Gin Drag”, era uma figura vibrante na cena cultural. Ela se apresentava como mulher trans, ativista, drag queen e cantora sertaneja, encantando o público com suas performances em festas e durante o carnaval. Além disso, Amanda tinha um amor profundo pela escola de samba Acadêmicos do Cubango, onde participava da ala das passistas desde a adolescência.

O crime que tirou a vida de Amanda é emblemático de uma realidade alarmante no Brasil. De acordo com a Associação Nacional de Travestis e Transexuais (Antra), em 2024, foram registrados 10 assassinatos de pessoas trans apenas no estado do Rio de Janeiro, a maioria das vítimas sendo travestis ou mulheres trans. O dossiê destaca que esses crimes se concentraram principalmente em municípios da Baixada Fluminense e da Região Metropolitana, como São Gonçalo, Duque de Caxias e Nova Iguaçu.

As consequências do crime e a busca por justiça

A condenação de Marlon Nascimento é um passo importante na busca por justiça, mas também levanta questões sobre a proteção e os direitos da comunidade trans no Brasil. A violência contra pessoas trans é um problema persistente e muitas vezes ignorado, e a sociedade precisa se unir para garantir que esses crimes não fiquem impunes. A continuidade do apoio a campanhas de conscientização e educação é fundamental para mudar a percepção sobre gênero e sexualidade, promovendo um ambiente seguro e acolhedor para todos.

Com a condenação, espera-se que a comunidade local e, por extensão, a sociedade brasileira, reflita sobre a intolerância e a discriminação que ainda prevalecem. A tragédia da vida de Amanda deve servir como um alerta e um chamado à ação para que mais vidas não sejam interrompidas por atos de violência e ódio.

O g1 não conseguiu localizar a defesa de Marlon Nascimento para comentar a sentença. A luta por justiça e igualdade continua, e é fundamental que a voz de pessoas como Amanda de Souza Soares nunca seja esquecida.

Por fim, é crucial ressaltar que cada ato de violência tem um impacto profundo, não apenas nas vítimas, mas nas famílias, amigos e comunidades. A necessidade de um olhar atento e respeitoso para as questões de gênero é vital para avançarmos em direção a uma sociedade mais justa.

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