Brasil, 29 de agosto de 2025
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Sissi, a pioneira do futebol feminino, reflete sobre sua trajetória

Conhecida como uma das primeiras estrelas do futebol feminino no Brasil, Sissi compartilha seus desafios e conquistas ao longo da carreira.

Nascida em Esplanada, na Bahia, Sissi é um nome que reverbera no cenário do futebol feminino brasileiro. Desde pequena, sua paixão pela pelota foi maior que as vozes que lhe diziam para ter um plano B. A determinação e a persistência foram suas companheiras em uma trajetória marcada por desafios e conquistas.

Desbravando o mundo do futebol

Sissi começou sua jornada em um cenário em que o futebol feminino era invisibilizado. Em 1988, foi surpreendida pela convocação para a primeira seleção brasileira de futebol feminino. “Era difícil acompanhar o futebol feminino no interior da Bahia. Quando recebi a carta da convocação, pensei que não era real”, relembra Sissi.

Ela fez parte do primeiro Mundial Experimental, na China, em 1995, representando o Brasil com garra, mesmo diante da falta de estrutura e dos uniformes masculinos. “Fui jogadora de futsal, mas joguinhos de futebol de salão não eram suficientes para preencher o sonho de vestir a camisa da seleção”, conta. Sissi também sofreu lesões, que a impediram de participar da Copa do Mundo de 1991, o que foi um momento doloroso em sua carreira. No entanto, sua resiliência a levou a brilhar na Copa do Mundo de 1995, onde se destacou e lutou por respeito e reconhecimento para o futebol feminino no Brasil.

A luta por aceitação e reconhecimento

O Mundial de 1999 foi um marco na carreira de Sissi. Mesmo enfrentando uma cirurgia após um acidente, sua intuição a fez se apresentar à seleção. “Joguei com o rosto fraturado”, relembra. A pressão pela estética e normas impostas por pessoas dentro da CBF não abalou sua determinação. “Nunca me preocupei com meu jeito de me vestir, mas isso incomodou muita gente”, revela.

A raspa de cabelo, uma promessa a uma criança, tornou-se controversa, e muitos não entenderam seu significado. “Sofri represálias, perdi muita coisa. O desafio da sexualidade também foi uma luta. Naquele tempo, era proibido se expor”, confessa Sissi, ressaltando a pressão que enfrentou ao longo de sua trajetória.

Uma nova fase nos EUA

Após os Jogos Olímpicos de 2000, Sissi decidiu jogar nos Estados Unidos, onde encontrou um ambiente mais acolhedor e respeitador. Hoje, como diretora técnica de um clube na Califórnia, sua missão é promover a autenticidade e empoderar jovens jogadoras. As gerações atuais, segundo Sissi, têm uma maior liberdade para se expressar. “Estamos mais tranquilas para viver como queremos. A aceitação aumentou em relação a 20 anos atrás”, afirma.

Recentemente, ela revisitou a seleção brasileira e viveu um momento de catharsis. “A experiência foi boa, me receberam de maneira legal. Minhas lágrimas eram um fechamento de um ciclo de dores que eu guardei por muito tempo”, revela Sissi, destacando a importância da reconciliação com seu passado e a seleção.

Impacto e legado

O sonho de Sissi também se estendeu à maternidade. Como mãe adotiva, ela encontrou o amor verdadeiro no filho Michael, que entrou em sua vida em um momento desafiador. “Michael era o que faltava na minha vida. Não me arrependo de nada, corri riscos, mas vivi cada segundo intensamente”, conclui.

Sissi demonstra que sua história é um testemunho de luta, autenticidade e amor. Com o Mundial de 2027 se aproximando, ela deixa claro seu desejo de contribuir, independentemente de qual forma. “Se eu puder participar, ótimo. Se não, continuarei a apoiar e a falar muito bem do futebol feminino”, afirma, com a mesma determinação que a fez superar todos os obstáculos ao longo de sua vida.

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