Recentemente, o ex-volante Felipe Melo se manifestou a favor do protesto organizado por torcedores do Vitória realizado no Centro de Treinamento (CT) do clube. A medida aconteceu após a equipe sofrer uma derrota histórica de 8 a 0 para o Flamengo no Brasileirão, em um episódio que gerou grande repercussão nas redes sociais e nos meios de comunicação.
A cobrança da torcida rubro-negra
No dia 27 de setembro, torcedores do Vitória se encontraram com os jogadores, que estavam no CT, para expressar seu descontentamento pela péssima performance da equipe. A cena ocorreu em um clima de tensão e revolta, mas sem agressões visíveis. Felipe Melo, que atualmente trabalha como comentarista esportivo, apoiou a atitude da torcida, ressaltando a importância do diálogo entre jogadores e fãs.
Em um vídeo divulgado em sua conta oficial no Instagram, Felipe comentou: “Acabei de assistir a um vídeo da torcida do Vitória, no qual eles estavam falando com os jogadores, que estavam todos sentados, escutando. Isso é torcida. Os caras perderam de 8, têm que ser cobrados mesmo, mas desta forma, sem ameaçar, sem dar tapa na cara, sem empurrar.”
Ele completou sua análise afirmando que o torcedor possui o direito de exigir mais dos atletas: “Os jogadores passam, o torcedor fica. De maneira passiva, eu concordo e tiro meu chapéu para a torcida do Vitória que esteve no CT.”
O papel dos jogadores e da comissão técnica
Felipe Melo também elogiou a postura do atacante Renato Kayzer, que teve a coragem de dar entrevistas logo após a partida e manifestou sua vergonha pelo resultado: “Parabéns para você, pela entrevista, disse que estava se sentindo envergonhado.” Essas palavras ecoam em uma situação delicada em que a pressão para os jogadores é intensa.
Críticas de André Rizek
Contrapondo-se à visão de Felipe Melo, o apresentador André Rizek, seu colega na SporTV, criticou a decisão dos dirigentes do Vitória em permitir a entrada dos torcedores no CT. Ele considerou a situação “grotesca” e levantou questões sobre a responsabilidade dos administradores do clube. Para Rizek, essa prática expõe uma falta de gestão e preocupação com os atletas: “Quando um dirigente abre as portas do CT para o torcedor cobrar o jogador, ele está se eximindo de qualquer culpa.”
Rizek continuou: “A cena tem jogadores na arquibancada e torcedores no gramado. Você pode até dizer: ‘não teve agressão, o tom foi até ameno’. Mas a verdade é que isso é uma covardia dos dirigentes.” Ele argumenta que os responsáveis pela montagem do elenco e pela disponibilidade do espaço precisam assumir a responsabilidade por seus atos e decisões.
Um dilema no futebol brasileiro
Este incidente trouxe à tona uma discussão que permeia o futebol brasileiro: até onde vai a relação entre torcedores e jogadores? De um lado, a necessidade dos torcedores de expressar suas frustrações e exigir resultados melhores; do outro, a proteção e a dignidade dos atletas que estão sob pressão constante. Felipe Melo e André Rizek resumem bem a dicotomia entre apoiar a equipe e defender a integridade dos jogadores, cada um oferecendo uma perspectiva válida em um contexto complexo.
Desde a derrota acachapante que o Vitória sofreu, o clube vêm enfrentando críticas não apenas pela atuação em campo, mas também pela forma como está lidando com a situação fora dele. A resposta da torcida, como defendido por Felipe Melo, se manifesta em um desejo de melhoras, enquanto as ponderações de André Rizek levantam uma importante questão sobre a ética no gerenciamento esportivo.
Após um episódio tão impactante, espera-se que as lições sejam aprendidas e que o Vitória possa reverter sua situação no Campeonato Brasileiro, sempre mantendo um diálogo aberto com sua apaixonada torcida.