A Força Aérea dos Estados Unidos está sendo duramente criticada após anunciar que concederá uma homenagem militar a Ashli Babbitt, uma veterana de 35 anos que virou símbolo de controvérsia após sua morte durante os eventos de 6 de janeiro de 2021 no Capitólio dos EUA. A decisão, tomada pelo Subsecretário da Força Aérea, Matthew Lohmeier, revoga uma medida anterior que negava a honra devido às circunstâncias do incidente.
Homenagem militar revogada e posteriormente reafirmada
Originalmente, o então comandante da Força Aérea, Lt. Gen. Brian Kelly, afirmou em 2021 que conceder honras a Babbitt “colocaria a reputação da Força Aérea em risco”. Porém, após uma revisão do caso, Lohmeier afirmou que “as circunstâncias de sua morte foram reconsideradas” e que a decisão inicial foi “incorreta”.
As honras militares, que incluem o toque de silêncio, a apresentação da bandeira americana por uma guarda de honra e outros rituais tradicionais, foram concedidas mesmo após sua entrada ilegal no prédio e sua resistência aos comandos dos agentes de segurança.
Contexto e controvérsia
A morte de Babbitt ocorreu quando ela tentava atravessar uma porta de vidro no interior do prédio, enquanto os policiais tentavam dispersar a multidão. Ela não estava armada, mas usava uma mochila, e foi atingida pelo policial Lt. Michael Byrd, após ele relatar que não podia determinar se ela estava armada. Byrd foi posteriormente investigado e absolvido de quaisquer acusações, com a Justice Department destacando sua atuação como uma ação de “último recurso” para proteger o Congresso e os presentes.
Por outro lado, familiares de Babbitt e grupos conservadores argumentam que ela não representava ameaça e que sua morte foi uma “execução”, promovendo uma narrativa de martírio. A família entrou com uma ação de indenização de US$30 milhões, que foi posteriormente reduzida a US$5 milhões em um acordo com o Departamento de Justiça em 2024.
Reações e críticas
A decisão de homenagear Babbitt foi recebida com forte rejeição por parte de figuras políticas e policiais que participaram na defesa do Capitólio no dia 6. O ex-representante Adam Kinzinger (R-IL), membro do comitê do Congresso que investigou os eventos, afirmou que honrar Babbitt “é uma dishonra ao seu serviço e ao país”.
Outra vítima do ataque, o ex-sargento da Polícia do Capitólio Aquilino Gonell, que teve que se aposentar precocemente devido às lesões sofridas, também criticou a homenagem, alegando que o reconhecimento é uma traição aos agentes que enfrentaram a violência.
Polêmica e repercussão pública
Grupos conservadores, como o Judicial Watch, apoiaram a decisão, considerando-a uma vitória contra o que chamam de “cancelamento” e perseguição política às pessoas que participaram do evento. O dirigente Tom Fitton, apoiador declarado do ex-presidente Donald Trump, destacou a iniciativa como uma forma de reconhecimento aos apoiadores do movimento populista.
A Casa Branca ainda não se pronunciou oficialmente sobre a controvérsia gerada pela homenagem. A decisão evidencia o momento de polarização intenso que marca a política americana desde os eventos de 6 de janeiro.