No último mês, um evento extraordinário ocorreu na Catedral de Santos, SP, onde um pai e seu filho passaram por ordenações que mudariam suas vidas e fortaleceriam a fé de muitos. José Henrique Cardoso de Morais, de 59 anos, e Gabriel Almeida de Moraes, de 22, celebraram seu vínculo familiar e espiritual de forma única: José se tornou diácono uma semana antes do filho ser ordenado padre. Este fato singular traz à tona não apenas a história de uma família dedicada à fé, mas também a importância dessas ordenações na vida cristã.
Um desejo cultivado ao longo da vida
José sempre sonhou em se tornar sacerdote, mesmo após constituir sua família. Desde pequeno, ele acompanha a vida religiosa e, de acordo com suas palavras, “será algo inédito”. As ordenações ocorrerão na mesma paróquia, São Francisco de Assis, em Cubatão, sob a supervisão do mesmo bispo. A primeira missa que José participará como diácono será em 10 de agosto, Dia dos Pais, um momento que carrega um simbolismo ainda mais forte.
José contou que, embora alguns familiares tenham recebido a notícia de sua ordenação com hesitação, muitos já imaginavam sua vocação e o apoiaram com orações. “É maravilhoso, nos fortalece na caminhada. Vemos que a caminhada não foi fácil, mas é verdadeira e linda”, afirmou.
O caminho do Diaconato
A trajetória de José até o diaconato não foi simples. Levo à igreja pelo pai durante a infância, ele acabou se afastando, mas ao perceber sua vocação, decidiu estudar teologia na Escola José Anchieta, em Santos. Após quatro anos de formação, ele se apresentou ao pároco, iniciando um processo de acompanhamento e serviço na comunidade.
Um detalhe curioso sobre a ordenação de diáconos casados é que é necessária a aprovação da esposa. No caso de José, sua esposa reconheceu e apoiou essa decisão, o que se tornou um sinal de união e fé mútua.
A vocação de Gabriel
Por outro lado, Gabriel desde criança esteve conectado à Igreja. Ele começou a servir como coroinha e participou de diversas pastorais na paróquia onde cresceu. A partir dos 15 anos, começou a participar de encontros vocacionais, o que o levou a ingressar no Seminário São José aos 22 anos, onde estudou Filosofia e Teologia.
Gabriel expressa sua gratidão à Diocese de Santos, que o apoiou em sua formação. Ele vê a ordenação do pai e a sua própria como um momento espiritual único, reafirmando que seu pai sempre foi uma grande inspiração em sua caminhada de fé. “Cresci em uma família muito católica, e isso certamente me inspira a ser uma pessoa melhor”, disse Gabriel.
Diácono e padre: papéis complementares
A diferença entre diáconos e padres é fundamental para entender a estrutura da Igreja. Os diáconos permanentes são aqueles que podem ser casados e realizam funções específicas, enquanto os diáconos transitórios são candidatos ao sacerdócio. A ordenação de José como diácono significa que ele estará servindo a comunidade de uma forma única, enquanto Gabriel, ao ser ordenado padre, assumirá responsabilidades mais abrangentes, focadas na celebração de sacramentos e cuidados pastorais.
A decisão de se tornar padre implica em diversas exigências, como idade mínima, formação acadêmica e vocação. Gabriel, por exemplo, precisou passar por um extenso processo de formação que o preparou para sua nova função como sacerdote.
A importância da fé na vida familiar
Famílias como a de José e Gabriel são exemplos de como a fé pode unir. O caminho que traçam não apenas fortalece seus laços, mas também serve de inspiração para outras famílias que acreditam que a espiritualidade e o serviço à Igreja podem caminhar lado a lado com a vida familiar. Para José, essa nova fase representa a continuidade de sua dedicação à sua esposa e ao seu ministério sacerdotal.
As ordenações de pai e filho têm um significado especial para a comunidade católica local. Momentos como este reforçam a importância da fé e da chamada vocacional, além de celebrar as ricas tradições da Igreja em unir gerações em serviço e espiritualidade.
Enquanto José e Gabriel se preparam para suas ordenações e as oportunidades de serviço que virão, muitos já se sentem inspirados pelas suas histórias, reafirmando que a fé, quando cultivada em família, pode gerar frutos abundantes e inestimáveis.