Desde ontem, quando entrou em vigor o tarifaço de 50% imposto pelos Estados Unidos sobre produtos brasileiros, diversas indústrias começam a sentir os efeitos. Setores que ficaram de fora da lista de isenção, que abrange cerca de 700 itens, continuam especulando sobre prejuízos, tentando negociar e lidando com encomendas suspensas ou canceladas.
Impacto no setor têxtil e comércio exterior
Empresas do segmento têxtil, responsáveis por uma exportação anual de aproximadamente R$ 500 milhões aos EUA, já calculam prejuízos de até seis mil empregos diretos e 15 mil indiretos no Brasil, que emprega mais de 1,3 milhão de trabalhadores, segundo dados da Associação Brasileira da Indústria Têxtil e de Confecção (Abit).
Fernando Pimentel, presidente da Abit, afirmou que negociações estão sendo reprogramadas, com alguns pedidos sendo reduzidos e buscando inserção de parte da produção no mercado interno. “Embora não sejamos os principais fornecedores dos EUA, setores como moda praia respondem por até 50% das exportações para lá”, destacou.
Setor calçadista e ameaça de perda de empregos
De acordo com levantamento da Associação Brasileira das Indústrias de Calçados (Abicalçados), quase 80% das empresas exportadoras reportaram impacto financeiro devido às tarifas adicionais. O presidente-executivo da entidade, Haroldo Ferreira, revelou que há atrasos nos negócios, queda no faturamento e cancelamentos, inclusive de produção já concluída.
“Se a situação persistir, podemos perder cerca de 8 mil postos de trabalho diretos e até 20 mil indiretos nos próximos meses”, alertou Ferreira. Os Estados Unidos representam mais de 20% do valor das exportações de calçados brasileiros, sendo o principal destino externo do setor.
Repercussões na indústria moveleira e outros setores
A Associação Brasileira das Indústrias do Mobiliário (Abimóvel) estima que o tarifaço pode causar até 10 mil demissões, considerando a cadeia produtiva, que emprega mais de 1,1 milhão de trabalhadores. Os EUA respondem por 30% das exportações de móveis e quase 40% das matérias-primas fabricadas no Brasil.
O presidente da entidade, Irineu Munhoz, destacou que a tentativa de limitar a concorrência chinesa, com tarifas de 25% por parte dos EUA, já dificultava a exportação de móveis brasileiros. “Com essa nova tarifa de 50%, a competitividade fica quase inviável”, afirmou.
Consequências materiais e perspectivas futuras
Empresas de diversos setores, como o moveleiro, já enfrentam atrasos, cancelamentos e queda na produção. Na empresa São Bento do Sul, em Santa Catarina, os embarques de móveis para os EUA caíram de 80% em 2024 para cerca de 30% no primeiro semestre de 2025, com uma redução significativa na média mensal de despachos.
O impacto também se observa na indústria de calçados, que atuava com forte presença no mercado norte-americano. Muitos importadores cancelaram pedidos programados para o segundo semestre, agravando o cenário de crise.
Medidas e negociações em andamento
Representantes brasileiros continuam buscando canais de negociação com Washington e aguardam medidas emergenciais do governo para aliviar a situação, como linhas de crédito subsidiadas e processos de liberação de créditos para exportadores.
Segundo analistas, a situação exige respostas rápidas, pois a continuidade do tarifão ameaça a geração de empregos, a estabilidade das cadeias produtivas e a recuperação de setores que, mesmo antes da medida, já enfrentavam dificuldades devido à concorrência asiática e questões logísticas.
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