Brasil, 4 de fevereiro de 2026
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Regulação frágil abre brechas para crimes envolvendo fintechs no Brasil

Investigações apontam que fintechs fora do radar do Banco Central facilitam ações criminosas, impulsionadas por regulações pouco rígidas.

As fintechs que atraem o interesse do crime organizado operam principalmente fora do alcance de supervisão do Banco Central (BC), revelam investigações. Isso ocorre parcialmente por uma decisão do próprio regulador, que buscava estimular inovação e competitividade no mercado financeiro, mas que hoje contribui para vulnerabilidades na segurança do sistema.

Brechas regulatórias e o papel do BC

Desde 2013, instituições de pagamento, incluindo fintechs, podem atuar sem aprovação prévia do BC, o que deixou espaço para irregularidades. Em 2021, o prazo para adequação começou a contar, com previsão de encerramento só em 2029. Segundo a Federação Brasileira de Bancos (Febraban), isso atrasa avanços essenciais na fiscalização e na garantia da integridade do setor financeiro.

Para especialistas, a fiscalização precária também está relacionada ao insuficiente quadro de servidores e estrutura do BC. “Sem recursos, fica difícil monitorar de perto todas as operações suspeitas”, afirma Pierpaolo Bottini, professor de Direito Penal da USP e especialista em lavagem de dinheiro.

Riscos e vulnerabilidades na regulação atual

As fintechs com menos exigências de “conheça seu cliente” (KYC) e de comunicação de suspeitas ao Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) acabam sendo usadas por criminosos para ocultar dinheiro ilícito. Além disso, a ausência de obrigatoriedade de relatar atividades suspeitas facilita práticas ilegais, como lavagem de dinheiro, apontam as investigações.

Outro problema destacado é a autonomia das instituições de pagamento, que podem iniciar operações sem fiscalização do BC até o fim do cronograma de 2029. A própria Federação Brasileira de Bancos pede a antecipação do prazo para uma supervisão mais rígida e efetiva.

Fraquezas na supervisão e aumento do crime organizado

O avanço de organizações criminosas no mercado financeiro, incluindo ações dentro do universo das fintechs, reforça a sensação de fragilidade do sistema regulatório. De acordo com Renata Cardoso, sócia da Lefosse Advogados, a expansão do mercado evidencia a necessidade de reforçar a supervisão, sob pena de facilitar ações ilícitas.

O monitoramento do BC, atualmente, não cobre adequadamente o funcionamento das fintechs e criptoativos, além de não acompanhar atividades 24 horas por dia, o que contribui para o crescimento de golpes e ações criminosas envolvendo bilhões de reais, como o roubo recente de pelo menos R$ 800 milhões por meio do Pix.

Medidas em andamento e desafios futuros

O BC já passou a exigir autorização de todas as fintechs que operam com Pix até o final de 2026, após pressão por uma fiscalização mais efetiva. Ainda assim, muitos desses agentes continuam atuando de forma precária ou sem supervisão adequada, o que representa um risco crescente.

Especialistas ressaltam que a ampliação da estrutura de fiscalização e o fortalecimento do sistema de controle, incluindo o monitoramento preventivo via Receita Federal, são essenciais para combater a criminalidade digital. Entretanto, a insuficiência de recursos e a lentidão na implementação de novas regulações continuam sendo obstáculos à segurança do sistema financeiro brasileiro.

Segundo o especialista Aylton Gonçalves, o Brasil ainda está atrasado em relação a países como EUA e União Europeia na regulamentação do banking as a service, o que reforça a necessidade de uma atualização normativa urgente para proteger o sistema contra a ação de criminosos.

Para acompanhar mais sobre o tema, acesse o fonte original.

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