Brasil, 7 de fevereiro de 2026
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Medida do CNU garante paridade de gênero em concursos públicos

A política de paridade de gênero no Concurso Nacional Unificado visa ampliar o acesso das mulheres ao serviço público.

A secretária-executiva do Ministério da Gestão e Inovação (MGI), Cristina Kiomi, anunciou uma novidade no Concurso Público Nacional Unificado (CNU): a implementação de uma política afirmativa que assegura 50% das vagas para mulheres na fase discursiva do concurso. A iniciativa tem como principal objetivo promover igualdade nas oportunidades para que mais mulheres ingressem no serviço público, através de ações que visem a equidade de gênero.

A importância da paridade de gênero no CNU

De acordo com Cristina, a proposta é que o número de homens e mulheres que avançam para a fase discursiva do concurso seja equivalente. “Todos os candidatos farão a prova objetiva e receberão suas notas. Nos casos em que um percentual maior de homens avançar para a fase discursiva, iremos garantir que um número equivalente de mulheres também possa participar”, explicou a secretária ao Metrópoles.

A medida gerou dúvidas entre os candidatos, que inicialmente interpretaram como uma cota exclusiva para mulheres, semelhante às reservadas por lei para grupos minoritários, como negros e indígenas. No entanto, Cristina esclareceu que esta reserva é uma ação para equilibrar as chances, e não uma cota fixa. “O que estamos fazendo é uma reserva temporária para a fase da prova, diferente do que ocorre com as cotas legais”, enfatizou.

Desigualdade de gênero nas seleções

Cristina também forneceu dados sobre a participação feminina no CNU, destacando que, embora as mulheres representem a maioria no momento da inscrição, essa porcentagem diminui drasticamente durante as etapas posteriores do concurso. “Percebemos que as mulheres, frequentemente, enfrentam desafios maiores devido à sobrecarga de trabalho e tarefas familiares, o que pode afetar sua preparação para o concurso”, disse ela.

A secretária mencionou que, ao analisar as edições anteriores do CNU, ficou evidente a discrepância entre o número de inscritos e os que realmente compareceram às provas. “Muitas mulheres têm jornadas duplas ou triplas, o que dificulta a dedicação a estudos”, acrescentou.

Modelo de ação afirmativa inspirado em outras áreas

A ideia de reservar vagas para mulheres teve como inspiração um modelo já utilizado pelo Ministério das Relações Exteriores (MRE). Cristina compartilhou que o MRE notou um histórico de aprovação maior de homens em cargos diplomáticos e, por isso, implementou estratégias para alcançar a paridade na aprovação para as provas discursivas, com resultados positivos.

“Embora ainda haja um maior número de homens aprovados, o percentual de mulheres com boas colocações cresceu”, destacou, ressaltando a importância de experiências similares para a mudança de cenário no serviço público.

Desafios e oportunidades no acesso ao serviço público

A secretária apontou que mesmo em áreas como saúde e educação, onde as mulheres predominam como servidoras no serviço público, os salários tendem a ser inferiores. “As mulheres estão concentradas em carreiras que tradicionalmente têm salários mais baixos, enquanto os homens estão em posições que oferecem melhores remunerações”, afirmou.

O MGI tem implementado programas para promover a equidade de gênero e incentivar a participação feminina em diversas áreas profissionais. “Estamos desenvolvendo programas também para homens que os ajudem a ser líderes mais conscientes no século 21, pois essa é uma questão que envolve todos nós”, comentou.

Futuro do CNU e a continuidade das políticas de equidade

Cristina também falou sobre a expectativa do ministério em tornar o CNU uma política pública permanente, com edições a cada dois anos. “Estamos projetando a realização do próximo CNU em 2027, devido ao calendário eleitoral e às limitações impostas a essa dinâmica”, explicou a secretária.

Na atual edição do CNU, 60% dos inscritos são mulheres, totalizando 456.300 candidatas frente a 305.180 homens. A divisão por áreas revela que em setores como saúde e seguridade social, as mulheres representam até 82% dos inscritos.

A importância da inclusão feminina nas carreiras estratégicas

Segundo Cristina, o cenário atual é um reflexo de barreiras sociais persistentes que impedem a igualdade de gênero. “Mudar essa realidade demanda políticas de incentivo e inclusão ativa, principalmente em áreas estratégicas”, finalizou.

Com ações como a paridade de gênero na convocação para a prova discursiva, o MGI busca não apenas transformar o acesso ao serviço público, mas também estimular um debate mais amplo sobre a diversidade e a inclusão no Brasil.

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