No último dia 25 de julho, Bruno Henrique, atacante do Flamengo, tornou-se réu por manipulação de resultados em uma partida do Campeonato Brasileiro de 2023. O jogador, que já é conhecido por acumular um número elevado de cartões, agora enfrenta acusações graves que podem impactar sua carreira esportiva. Levantamento do Metrópoles revela que, desde sua estreia em 2015, Bruno recebeu uma média de 10,1 cartões por ano, totalizando 101 advertências, entre amarelos e vermelhos.
O caso e as acusações
A denúncia foi aceita pela 7ª Vara Criminal de Brasília, e tanto Bruno Henrique quanto seu irmão, Wander Nunes Pinto Júnior, estão sendo processados pelo Ministério Público do Distrito Federal e Territórios (MPDFT). A acusação é de que Bruno Henrique favoreceu apostadores ao forçar a recepção de um cartão amarelo durante uma partida. O crime de manipulação de resultado no esporte, segundo a legislação brasileira, prevê uma pena de dois a seis anos de prisão, além de eventuais multas.
- A manipulação ocorreu em uma partida em que Bruno Henrique, supostamente incentivado por seu irmão, cometeu uma falta deliberada para receber um cartão amarelo.
- Após receber o cartão, o jogador foi expulso da partida ao xingar o árbitro, o que gerou ainda mais controvérsia sobre sua conduta.
O Metrópoles destaca que as investigações do caso envolvem depoimentos e evidências de que o jogador comunicou seu irmão sobre a intenção de forçar a falta, que foi disseminada entre apostadores. A expectativa era que tais informações resultassem em apostas na ocorrência do cartão amarelo, o que realmente aconteceu em campo.
Bruno Henrique e sua trajetória disciplinar
A pesquisa realizada pelo Metrópoles indica a trajetória disciplinar do jogador ao longo de sua carreira. Bruno Henrique acumulou 94 cartões amarelos e 7 vermelhos desde 2015. O apogeu de suas punições foi em 2019, quando recebeu 17 cartões, o que coincidiu com uma de suas melhores temporadas, onde ele alcançou 35 gols e 16 assistências.
Por outro lado, durante sua passagem pelo Wolfsburg, na Alemanha, entre janeiro de 2016 e janeiro de 2017, o atacante apresentou um histórico disciplinar muito mais contido, recebendo apenas um cartão em 17 partidas.
As consequências do processo
Com a denúncia aceita, Bruno Henrique e seu irmão devem apresentar uma defesa prévia. O processo seguirá com a coleta de depoimentos e apresentação de provas, culminando em um novo julgamento para determinar sua culpa ou inocência. Dependendo do resultado, as sanções podem variar entre a absolvição e a condenação, que prevê penas de prisão e multas.
Os promotores do Gaeco, que estão à frente do caso, afirmaram que há indícios de que Bruno foi motivado a forçar a falta por seu irmão, com um planejamento claro envolvendo coletivas de apostas. O fato de que as contas usadas nas apostas eram recém-criadas e o foco quase exclusivo em apostas do cartão amarelo de Bruno Henrique, reforça a gravidade das acusações.
“Todos os acusados, cientes de que se tratava de um acontecimento já ajustado e encaminhado, efetivaram apostas ‘prevendo’ o mencionado cenário”, afirmaram os promotores.
A evidência de que Bruno Henrique, em última análise, intencionava cumprir com o que havia planejado, provoca um forte questionamento sobre a ética e a integridade no esporte, especialmente no futebol, onde a manipulação de resultados pode afetar toda uma indústria que gira em torno do campeonato.
O próximo passo no processo é fundamental para esclarecer o envolvimento dos irmãos e a responsabilidade de Bruno Henrique, que se vê em uma encruzilhada crítica em sua carreira. Novas informações e testemunhos serão cruciais para desenhar o futuro do atacante, que até agora era reconhecido por seu talento dentro de campo.
A situação de Bruno Henrique é um alerta para todos os atletas e entidades esportivas sobre a importância da ética e da honestidade nas competições. O espelho da carreira de um jogador pode, em um piscar de olhos, se tornar uma mancha indelével se as escolhas forem em desacordo com a integridade.
Para mais detalhes sobre a carreira e a situação atual de Bruno Henrique, acesse o Metrópoles.