Um estudo divulgado nesta semana pela Randstad, empresa de recrutamento, destaca a importância dos imigrantes no combate à falta de mão de obra em Portugal. Com base em dados oficiais europeus e portugueses, a análise revela o papel fundamental que esses trabalhadores desempenham na recuperação econômica do país.
Imigrantes ajudam a preencher vagas e contribuem para a economia
De acordo com o estudo, os imigrantes estão presentes em diversos setores, como agricultura, turismo, construção civil e serviços administrativos, realizando tarefas que muitas vezes são renegadas pelos portugueses. Além disso, eles representam uma contribuição recorde à Segurança Social, com uma contribuição anual de € 3,6 bilhões, apesar de apenas € 686 milhões terem sido descontados. O saldo, portanto, ultrapassa € 2,9 bilhões.
“A força de trabalho estrangeira é essencial, especialmente em setores que enfrentam escassez de profissionais qualificados”, afirmou a analista Maria Santos, responsável pelo estudo. A presença majoritária de brasileiros entre os imigrantes reforça essa tendência.
Qualificação e condições de trabalho dos imigrantes em Portugal
Apesar de 31,6% dos imigrantes possuírem ensino superior — uma taxa superior à média da União Europeia, de 27,4% — grande parte ocupa empregos abaixo de suas qualificações. Os portugueses também representam 14,5% dos trabalhadores com qualificação fora de suas áreas de formação.
Outro fator observado foi o alto percentual de contratos temporários entre os estrangeiros, totalizando 35,8%, além de uma maior incidência de empregos de meio período com salários menores. Esses dados indicam que, mesmo jovens e qualificados, os imigrantes enfrentam condições precárias de trabalho.
Desafios e políticas de imigração em Portugal
Por outro lado, o estudo aponta que o tempo de desemprego de longa duração entre os imigrantes é menor do que o dos portugueses. Entretanto, a taxa de desemprego geral dos estrangeiros é de 11,9%, quase o dobro da média nacional, de 6,6%. Políticas de integração ainda enfrentam dificuldades, com a implementação de uma abordagem policial mais incisiva e limites no visto de procura de emprego para trabalhadores qualificados, segundo informações do governo.
“Reconhecemos que há desafios, mas a imigração é uma solução para o mercado de trabalho e não uma ameaça”, comentou o especialista João Pereira, do Instituto de Políticas Públicas de Portugal.
Perspectivas futuras
A análise destaca que mais da metade dos imigrantes, cerca de 55%, está na faixa etária produtiva de 20 a 44 anos, ajudando a compensar o envelhecimento da população portuguesa. O estudo reforça a necessidade de aprimorar as políticas de integração e melhorar as condições contratuais para garantir que essa força de trabalho continue contribuindo positivamente para o país.
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