Brasil, 31 de agosto de 2025
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Tarifa de 50% pode dificultar redirecionamento de exportações brasileiras

Especialistas analisam os desafios e possibilidades de ajustes na exportação de produtos como café, tilápia e manga após o aumento de tarifas dos EUA

Com a imposição de tarifas de 50% pelos Estados Unidos sobre produtos brasileiros, setores de alimentos e agronegócio enfrentam incertezas sobre a continuidade e o destino das exportações. Embora seja possível redirecionar produtos para outros mercados, especialistas alertam para dificuldades logísticas, exigências sanitárias e limitações de capacidade.

Desafios na adaptação às novas condições de exportação

Segundo economistas ouvidos pelo g1, o aumento de tarifas provoca um impacto direto na rentabilidade e na complexidade do comércio internacional. Cada setor possui suas especificidades, o que torna a mudança de destinos uma tarefa complexa e que exige planejamento estratégico.

Café em compasso de espera

O setor cafeeiro aguarda a inclusão na lista de exceções ao tarifaço, o que poderia evitar impacto direto na exportação do Brasil para os EUA. Por ora, a estratégia é armazenar a safra de 2025, prevista para ser exportada em 2026, devido à capacidade de estocagem de até oito meses, afirma o Conselho dos Exportadores de Café do Brasil (Cecafé).

Apesar das possibilidades de redirecionamento para China, Índia ou Indonésia, cada mercado possui regras sanitárias e de qualidade distintas, dificultando a troca rápida de destinos.

Tilápia e a dependência da exportação para os EUA

Mais de 90% da tilápia brasileira exportada vai aos Estados Unidos, sobretudo por via aérea e marítima. Com o tarifaço, as embarcações que estavam programadas para exportar após 6 de agosto tiveram suas operações suspensas, sendo preciso acelerar o envio até essa data ou redirecionar ao mercado interno.

No entanto, o estoque interno e a ausência de mercados secundários capazes de absorver esse volume podem gerar prejuízos à indústria a médio e longo prazo, avalia Francisco Medeiros, presidente da PeixeBR.

Manga e o risco de colapso na comercialização

A manga, considerada a fruta brasileira mais exportada, já enfrenta riscos com o tarifazo, especialmente a variedade Tommy Atkins, que começa a ser colhida em agosto. A associação Abrafrutas alerta que manter a produção no Brasil pode gerar um colapso no mercado local devido à oferta excessiva.

Embora a fruta possa ser enviada a outros países como China, Índia e Austrália, a cultura de consumo e exigências fitossanitárias dificultam o redirecionamento pleno do produto, que é exportado praticamente in natura.

Implicações para os preços dos alimentos no Brasil

Especialistas discutem se o tarifaço pode provocar alta ou baixa nos preços internos. No caso do suco de laranja, por exemplo, o produto brasileiro escapou da tarifa de 50%, mantendo-se como uma bebida essencial para o mercado local, segundo dados do setor.

Por outro lado, alimentos altamente dependentes da exportação, como frutas e peixes, podem ficar mais caros no mercado doméstico se a oferta exportável for reduzida ou redirecionada de forma desorganizada.

Perspectivas e próximos passos

O setor de carne brasileira declarou que suspendeu temporariamente operações direcionadas aos EUA, mas ressalta que, atualmente, a China permanece como principal mercado de exportação, tornando o impacto do tarifazo menos imediato nesse segmento. Os esforços agora concentram-se em ajustar rotas logísticas e buscar novos destinos em países asiáticos e na Oceania.

As autoridades brasileiras aguardam o desdobramento oficial das medidas e avaliam o impacto econômico no curto prazo, enquanto produtores buscam alternativas para manter a competitividade diante das novas tarifas norte-americanas.

Para mais detalhes sobre os desafios e estratégias de adaptação do agronegócio brasileiro, acesse a reportagem do g1.

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