Com a imposição de tarifas de 50% pelos Estados Unidos sobre produtos brasileiros, setores de alimentos e agronegócio enfrentam incertezas sobre a continuidade e o destino das exportações. Embora seja possível redirecionar produtos para outros mercados, especialistas alertam para dificuldades logísticas, exigências sanitárias e limitações de capacidade.
Desafios na adaptação às novas condições de exportação
Segundo economistas ouvidos pelo g1, o aumento de tarifas provoca um impacto direto na rentabilidade e na complexidade do comércio internacional. Cada setor possui suas especificidades, o que torna a mudança de destinos uma tarefa complexa e que exige planejamento estratégico.
Café em compasso de espera
O setor cafeeiro aguarda a inclusão na lista de exceções ao tarifaço, o que poderia evitar impacto direto na exportação do Brasil para os EUA. Por ora, a estratégia é armazenar a safra de 2025, prevista para ser exportada em 2026, devido à capacidade de estocagem de até oito meses, afirma o Conselho dos Exportadores de Café do Brasil (Cecafé).
Apesar das possibilidades de redirecionamento para China, Índia ou Indonésia, cada mercado possui regras sanitárias e de qualidade distintas, dificultando a troca rápida de destinos.
Tilápia e a dependência da exportação para os EUA
Mais de 90% da tilápia brasileira exportada vai aos Estados Unidos, sobretudo por via aérea e marítima. Com o tarifaço, as embarcações que estavam programadas para exportar após 6 de agosto tiveram suas operações suspensas, sendo preciso acelerar o envio até essa data ou redirecionar ao mercado interno.
No entanto, o estoque interno e a ausência de mercados secundários capazes de absorver esse volume podem gerar prejuízos à indústria a médio e longo prazo, avalia Francisco Medeiros, presidente da PeixeBR.
Manga e o risco de colapso na comercialização
A manga, considerada a fruta brasileira mais exportada, já enfrenta riscos com o tarifazo, especialmente a variedade Tommy Atkins, que começa a ser colhida em agosto. A associação Abrafrutas alerta que manter a produção no Brasil pode gerar um colapso no mercado local devido à oferta excessiva.
Embora a fruta possa ser enviada a outros países como China, Índia e Austrália, a cultura de consumo e exigências fitossanitárias dificultam o redirecionamento pleno do produto, que é exportado praticamente in natura.
Implicações para os preços dos alimentos no Brasil
Especialistas discutem se o tarifaço pode provocar alta ou baixa nos preços internos. No caso do suco de laranja, por exemplo, o produto brasileiro escapou da tarifa de 50%, mantendo-se como uma bebida essencial para o mercado local, segundo dados do setor.
Por outro lado, alimentos altamente dependentes da exportação, como frutas e peixes, podem ficar mais caros no mercado doméstico se a oferta exportável for reduzida ou redirecionada de forma desorganizada.
Perspectivas e próximos passos
O setor de carne brasileira declarou que suspendeu temporariamente operações direcionadas aos EUA, mas ressalta que, atualmente, a China permanece como principal mercado de exportação, tornando o impacto do tarifazo menos imediato nesse segmento. Os esforços agora concentram-se em ajustar rotas logísticas e buscar novos destinos em países asiáticos e na Oceania.
As autoridades brasileiras aguardam o desdobramento oficial das medidas e avaliam o impacto econômico no curto prazo, enquanto produtores buscam alternativas para manter a competitividade diante das novas tarifas norte-americanas.
Para mais detalhes sobre os desafios e estratégias de adaptação do agronegócio brasileiro, acesse a reportagem do g1.