Após a publicação de um decreto pela Casa Branca impondo tarifa de 50% às importações brasileiras, a complexidade da situação revela que a negociação com os Estados Unidos por meio das empresas tem sido a estratégia mais eficaz até o momento. Entretanto, o governo brasileiro precisa intensificar esforços de diálogo para buscar brechas que possam amenizar a taxação, segundo especialistas.
Desafios na negociação e potencial de alívio
No cenário atual, a administração norte-americana tem utilizado tarifas como ferramenta de pressão, principalmente contra países da América Latina, como explicou o professor sênior de agronegócio global do Insper, Marcos Jank. Ele reforça que a articulação via setor privado, especialmente por empresas americanas, vem sendo o caminho mais eficiente, citando o exemplo do suco de laranja, que possui uma lista de cerca de 700 produtos excluídos do decreto de taxação.
O papel do setor privado na resistência brasileira
A distribuidora de bebidas Johanna Foods, uma das principais do mercado da Costa Leste dos EUA, entrou na Justiça questionando a tarifa sobre o suco brasileiro. Segundo Jank, empresas como essa exerceram pressão ao repassar a importação de suco brasileiro para grandes distribuidoras como a Minute Maid, da Coca-Cola, demonstrando a força do setor privado na negociação.
Impacto político e estratégias de Trump
Analistas apontam que as decisões tarifárias de Donald Trump muitas vezes mesclam interesses políticos, ameaçando, ao mesmo tempo, manter o foco na China e na América Latina. Lia Valls, pesquisadora da FGV Ibre e professora da Uerj, destaca que Trump opera com base no medo, recuando quando o produto é de interesse dos consumidores americanos.
Embora exista a preocupação com o risco de confrontos políticos e comerciais, há consenso de que a melhor abordagem do Brasil deve ser a diplomática. Como ressaltou Jank, o governo precisa de uma presença mais ativa em Washington, buscando diálogo contínuo e possibilidades de exceções às tarifas.
Perspectivas e limitações do curto prazo
Fernando Ribeiro, do Ipea, avalia que o prazo para negociações é restrito, uma semana, e que esse período deve ser utilizado para assimilar a sanção ao ministro do STF Alexandre de Moraes, além de apresentar uma possível contraproposta. No entanto, ele acredita que o que o Brasil tem a oferecer na mesa de negociações é limitado nesse curto espaço.
Para Ribeiro, o mais viável é negociar temas de interesse estratégico, como terras-raras, reservas relevantes que os EUA desejam explorar para diversificar suas fontes, especialmente diante do desejo de reduzir a dependência da China. Além disso, o etanol, embora já mencionado na carta enviada em maio, continua sendo uma pauta com potencial de resistência por parte de Washington.
Próximos passos e impacto da medida
A expectativa é que o governo brasileiro intensifique as negociações, mesmo diante do cenário adverso, e que o período curto não permita mudanças significativas na lista de exceções, que já conta com cerca de 700 itens. Como destacou Ribeiro, o governo deve focar em temas de interesse de longo prazo, como tecnologia e recursos naturais estratégicos.
Especialistas alertam que, apesar da intenção de suavizar o impacto das tarifas, as pressões internas e externas podem limitar as possibilidades de negociações rápidas, o que reforça a necessidade de elaboração de propostas estratégicas e de maior presença diplomática.
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