Brasil, 30 de agosto de 2025
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Empresas brasileiras se adaptam à sobretaxa de 40% nas exportações para os EUA

Sem acordo com os EUA, empresas brasileiras continuam ajustando suas estratégias diante da sobretaxa de 40% imposta por Trump

Após a decisão do governo dos Estados Unidos de aplicar uma sobretaxa de 40% às exportações brasileiras, muitas empresas do país buscam alternativas para minimizar o impacto. Segundo relatos ao GLOBO, uma parte significativa das quase 9,5 mil empresas que exportam para os EUA está correndo para se adaptar ao cenário de incerteza, sem um acordo comercial à vista.

Empresa brasileira ajusta cronograma de exportação diante da tarifa de Trump

Desde que Donald Trump publicou uma carta ameaçando o Brasil, há três semanas, a fabricante de equipamentos eletrônicos Novus, sediada em Canoas (RS), tem enviado o máximo possível de produtos para seu armazém nos EUA. Marcos Dillenburg, CEO da empresa, revelou que as últimas remessas, feitas por via aérea, chegarão aos EUA sem a sobretaxa devido à flexibilização no cronograma estabelecida pelo decreto de 6 de agosto.

“Colocamos estoque lá para três meses de vendas. Na prática, compramos tempo. Sem pagar a tarifa a mais, temos três meses de estoque a preços competitivos”, explicou Dillenburg, reforçando que aproximadamente 80% dos bens vendidos pela Novus aos EUA estão na lista de exceções do decreto, embora com restrições.

Desafios no setor moveleiro e impactos na produção

A indústria moveleira brasileira também sofre com as medidas protecionistas. A Temasa, de Caçador (SC), com 850 funcionários, enfrenta a possibilidade de perder espaço para concorrentes do Japão e da Coreia do Sul, já que seus produtos, sem exceções de tarifas, terão de pagar 50% de impostos, dificultando a competitividade no mercado americano.

Segundo Leonir Antônio Tesser, diretor da empresa, os embarques mensais de móveis desmontados para os EUA, que ultrapassam US$ 1,5 milhão, foram suspensos, assim como a produção solicitada pelos grandes varejistas americanos. “O clima é de apreensão e incerteza”, afirmou Tesser, destacando a dificuldade de redirecionar esses produtos para outros mercados.

Impacto na cadeia produtiva e na economia brasileira

A cadeia produtiva do setor moveleiro, que envolve desde a plantação de árvores até fornecedores de componentes, emprega cerca de 1,1 milhão de brasileiros. A redução nas exportações para os EUA, que respondem por aproximadamente 30% do mercado internacional de móveis, pode gerar perdas significativas e afetar toda a cadeia.

Para o presidente da Associação Brasileira das Indústrias do Mobiliário (Abimóvel), Irineu Munhoz, há esperança de uma negociação que possa reverter ou reduzir as tarifas, por meio de linhas de crédito com juros menores que a taxa básica (Selic, atualmente em 15%) e medidas de contenção de desemprego, semelhantes às adotadas durante a pandemia.

Setor de carnes, frutos e outros produtos também sofre com tarifas

Na agroindústria, o setor de pescados se posiciona na expectativa de uma nova rodada de negociações, já que as carnes, especialmente a carne bovina, permanecem de fora das exceções do decreto de Trump. Sidney Zamora, pecuarista do grupo Zamora, afirma que a ausência de isenção é um “golpe duro” para o mercado, que já enfrentou dificuldades por outras restrições comerciais.

O impacto na produção de frutas, como manga e uva, também é notável. Priscilla Nasrallah, sócia da Lina Frutas, estima uma queda de 30% no faturamento anual, devido à inflação de preços domésticos e à possibilidade de que boa parte da produção destinada ao mercado americano fique no Brasil, causando desabastecimento interno e queda nos preços.

Outro setor, o de rochas ornamentais, prepara uma mobilização para tentar influenciar negociações diante da possibilidade de isenção de produtos como mármore, granito e ardósia das tarifas.

Perspectivas e alternativas para os setores afetados

Especialistas e empresários enfatizam a necessidade de negociações contínuas com os Estados Unidos para revisar as tarifas. O Brasil é responsável por uma parte expressiva das exportações de móveis, insumos e alimentos ao país, com vendas superiores a US$ 308 milhões apenas entre janeiro e maio deste ano, segundo dados do setor.

Irineu Munhoz reforça a importância de o governo brasileiro ampliar linhas de crédito de capital de giro com juros menores e adotar medidas de proteção contra a queda nas exportações, além de diversificar mercados. “A China, por exemplo, representa uma grande concorrente, e as tarifas de 25% tornam inviável a exportação de móveis brasileiros para os EUA”, comentou.

Resta esperar por novas negociações e possíveis revisões nas tarifas, que ainda representam um desafio considerável para o crescimento das indústrias brasileiras no mercado internacional.

Fonte: GLOBO

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