Brasil, 30 de agosto de 2025
BroadCast DO POVO. Serviço de notícias para veículos de comunicação com disponibilzação de conteúdo.
Publicidade
Publicidade

Governo avalia criar auxílio para trabalhadores afetados pelo tarifaço de Trump

Medida tentaria preservar empregos e o poder aquisitivo dos trabalhadores diante das tarifas adicionais impostas pelos EUA

O governo federal analisa a possibilidade de implementar um programa de apoio financeiro aos trabalhadores afetados pelo tarifaço dos Estados Unidos contra produtos brasileiros, inspirado no modelo adotado no Rio Grande do Sul após as enchentes do ano passado.

Apoiando os trabalhadores durante o tarifaço de Trump

A iniciativa visa ampliar o “Apoio Financeiro RS”, programa emergencial que concedeu duas parcelas de um salário mínimo (R$ 1.518) aos trabalhadores de empresas prejudicadas, com o empregador complementando o restante do salário. A proposta é pagar o auxílio diretamente ao trabalhador com vínculo formal, incluindo aprendizes, estagiários e pescadores artesanais.

Manutenção do emprego e incentivo ao poder de compra

Para reforçar a preservação dos postos de trabalho, as empresas precisariam manter o vínculo do empregado por pelo menos o dobro do período de pagamento, ou seja, quatro meses. Segundo fontes próximas ao governo, a medida busca proteger o poder de compra dos trabalhadores de baixa renda diante do impacto causado pelo aumento tarifário.

Contexto do tarifaço e ações do governo americano

Na última quarta-feira, o presidente Donald Trump editou um decreto que elevou tarifas adicionais de 40% sobre produtos brasileiros, elevando o total de taxação para 50%. A lista de exceções inclui 694 itens, como suco de laranja, peças e aeronaves, setor de energia e petróleo. Produtos como frutas, carnes, têxteis e calçados deverão ser sobretaxados, o que pode afetar a atividade econômica e o nível de emprego.

Medidas adicionais em estágio de avaliação

Entre as alternativas em estudo estão a suspensão temporária do recolhimento do FGTS para empresas afetadas e a adoção de lay-off com pagamento de parcelas pelo Fundo de Amparo ao Trabalhador (FAT). Além disso, há uma análise para concessão de linhas de crédito com condições mais acessíveis, usando o Fundo Garantidor de Operações (FGO), semelhante ao que foi feito no caso do Rio Grande do Sul.

Impactos econômicos e previsão de cenário

Um estudo elaborado por especialistas indica que, no período de até 30 meses, o impacto negativo das tarifas poderia ser reduzido a quase zero com a reorganização de empresas e ajustes no mercado. O estudo, que levou 15 dias para ser concluído, foi apresentado na última sexta-feira, 25, e prevê cenários considerando a possibilidade de redução gradual das tarifas ao longo dos meses.

De acordo com Paulo Rabello de Castro, economista e ex-presidente do BNDES, a análise mostra que o impacto inicial de 20% na pauta de exportações pode diminuir com o tempo, devido à reestruturação das cadeias produtivas. Mesmo sem revisão na sobretaxa de 40% em produtos enviados aos EUA, há expectativa de que a reorganização avance em meses, reduzindo o impacto econômico. O estudo também aponta que, com a sobretaxa, o Brasil terá a maior taxação entre os países alvo de Trump, chegando a 50% na entrada de alguns produtos no mercado americano.

Reações de setores e avaliação de perspectivas

O setor de varejo, representado pela Associação Brasileira de Supermercados (Abras), exige do governo medidas compensatórias, incluindo a suspensão da elevação do IOF, políticas de estímulo ao emprego, metas de emprego e redução das tarifas de juros. Segundo Márcio Milan, vice-presidente da associação, o estudo está em fase final de ajustes e reforça a necessidade de ações que minimizem os efeitos do tarifaço na economia doméstica.

Paulo Rabello destacou que, apesar de o setor varejista não estar diretamente envolvido no conflito comercial, ele pode sofrer impactos indiretos, com crescimento de produtos no mercado interno que podem desorganizar cadeias produtivas e prejudicar empresas exportadoras. Para ele, a manutenção de um mercado interno forte pode servir como suporte às empresas brasileiras em um cenário de instabilidade internacional.

Perspectivas e desafios futuros

Com a implementação do decreto que aumenta tarifas em 40% sobre produtos brasileiros, o impacto na economia é significativo, com muitas apostas de que o governo ficará fora das metas fiscais diante do cenário excepcional causado pelo tarifaço. Em participação no programa Mais Você, da TV Globo, o vice-presidente Geraldo Alckmin afirmou que há uma intenção de que as medidas tenham o menor impacto fiscal possível, embora reconheça que o socorro aos setores afetados possa se prolongar além das metas atuais.

Mais detalhes sobre as tarifas e as possíveis medidas de apoio podem ser consultados na matéria do Globo.

PUBLICIDADE

Institucional

Anunciantes