No contexto das novas tarifas aplicadas pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, sobre produtos brasileiros, uma recente pesquisa do Datafolha mostra que a maioria dos brasileiros confia mais na China como parceiro comercial do que nos próprios EUA. O estudo, divulgado na quinta-feira, revela mudanças nas percepções sobre o comércio exterior e suas implicações para a economia nacional.
Confiança nas relações comerciais
De acordo com a pesquisa, 23% dos brasileiros acreditam que o país “pode confiar muito” nas relações comerciais com a China. Em contrapartida, apenas 19% compartilham essa mesma confiança em relação aos Estados Unidos. No entanto, há um empate técnico, considerando a margem de erro. No que diz respeito a uma confiança mais moderada, 43% afirmam que o governo “pode confiar um pouco” na China, enquanto 46% sentem que “não pode confiar” nos EUA.
Esses dados refletem um sentimento crescente entre a população brasileira de que a China, como uma potência econômica ascendente, pode ser um aliado mais estável frente às pressões comerciais dos Estados Unidos. As tarifas impostas por Trump, um movimento bastante criticado pelas esferas comerciais, geraram apreensão e insegurança entre os brasileiros, conforme indicado nas respostas coletadas pelo Datafolha.
Preocupações com o “tarifaço”
Outro ponto discutido na pesquisa é a preocupação dos entrevistados com as tarifas. Um impressionante 89% dos brasileiros acredita que as novas tarifas prejudicarão a economia do país. Além disso, 77% preveem que essas medidas terão consequências em sua situação econômica pessoal. Dentre estes, 43% afirmam que as tarifas “vão prejudicar muito”, enquanto 34% creem que “vão prejudicar um pouco”. Apenas 19% acham que não haverá impacto significativo.
Essas preocupações não são infundadas, considerando as possíveis repercussões nas exportações e nos preços dos produtos importados. O receio de que a inflação possa subir ou que a competitividade do Brasil no mercado internacional seja afetada é palpável entre os entrevistados.
Opiniões sobre como enfrentar a crise
Quando questionados sobre como o governo deveria responder ao “tarifaço”, 72% dos brasileiros preferem que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva busque negociar com as autoridades norte-americanas para reverter as novas taxas. Apenas 15% acham que o Brasil deveria retaliar com tarifas equivalentes sobre produtos americanos, embora essa possibilidade tenha sido mencionada devido à recente aprovação da Lei da Reciprocidade Econômica.
Vale ressaltar que apenas 6% dos entrevistados acham que o Brasil deveria atender às condições impostas pela Casa Branca, que incluem a interrupção do julgamento do ex-presidente Jair Bolsonaro no Supremo Tribunal Federal. Intrigantemente, entre os que votaram em Bolsonaro nas eleições de 2022, essa taxa é um pouco mais alta, atingindo 13%.
Sobre a metodologia da pesquisa
A pesquisa Datafolha entrevistou 2.004 pessoas nos dias 29 e 30 de julho, antes do decreto oficial das tarifas pelos EUA. A margem de erro da pesquisa é de dois pontos percentuais, o que pode influenciar levemente os resultados apresentados.
O levantamento é importante para compreender o clima atual entre os brasileiros em relação à política externa e à economia. À medida que as tensões comerciais aumentam, as respostas da população revelam um novo paradigma comercial que poderá influenciar decisões futuras e a dinâmica das relações internacionais do Brasil.
Esses dados não apenas ressaltam a confiança crescente na China, mas também o desejo de uma interação mais proativa e dialogada com os Estados Unidos, em busca de equilíbrio e estabilidade nas relações comerciais.