Brasil, 31 de agosto de 2025
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Tenente-coronel depõe sobre encontro com Braga Netto e Mauro Cid

O tenente-coronel Hélio Ferreira Lima confirmou encontro com Braga Netto, mas nega qualquer ação ilegal no STF.

O tenente-coronel Hélio Ferreira Lima, um dos réus na ação penal relacionada à suposta tentativa de golpe contra o resultado das eleições de 2022, se apresentou ao Supremo Tribunal Federal (STF) nesta segunda-feira (28/7) e confirmou a realização de um encontro no apartamento do general Braga Netto, ex-candidato a vice-presidente, juntamente com Mauro Cid, seu ex-ajudante de ordens. Contudo, Lima ressaltou que, segundo seu relato, não houve discussões sobre questões ilegais e que o ambiente era marcado por um “clima de velório”.

O que aconteceu no encontro?

Durante o interrogatório no STF, o tenente-coronel Lima destacou que a reunião aconteceu, mas não envolveu tratativas de golpe ou qualquer negociação de ativos financeiros, como a acusação sugere. Segundo ele, o clima do encontro foi de desânimo, com Braga Netto manifestando sua preocupação em relação ao cenário político atual. “Era o general chateado do jeito dele, sem esmorecer, falando de coisas do dia a dia,” afirmou Lima, que limitou a duração da reunião a cerca de 30 minutos.

“A investigação falou em diversos documentos que foram encontrados com outros [que estavam no encontro], sobre o que poderia ter sido tratado nessa reunião. Nada de ilegal ou diferente foi tratado,” explicou Lima ao juiz Rafael Henrique Tamai, que estava conduzindo o processo.

Além de Lima e Cid, o major Rafael Martins de Oliveira também participou do encontro. Em resposta a perguntas do juiz, Lima negou ter prestado qualquer tipo de serviço de inteligência ou monitoramento. “Nunca fiz isso que o senhor está perguntando”, declarou.

Controvérsias sobre a memória de Mauro Cid

Após a defesa do tenente-coronel, este também comentou sobre Mauro Cid, defendendo que suas lembranças são seletivas. Lima observou que a memória de Cid pode variar conforme suas conveniências e que ele não pretende acusá-lo de nada, mas que apenas ele é responsável pelas suas recordações.

Carta golpista e levantamento de ações

A acusação, que se sustenta em elementos do Ministério Público, aponta que, em 28 de novembro de 2022, após a vitória do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, Lima e outros réus se reuniram para discutir a elaboração de uma carta com teor golpista para ser enviada aos comandantes das Forças Armadas. A investigação também revelou que o grupo tinha o plano de provocar um evento de grande impacto social, o que poderia oferecer embasamento para que Bolsonaro e seus apoiadores avançassem em um plano de golpe.

Quem são os réus do núcleo 3?

Os réus do chamado núcleo 3 da investigação incluem:

  • Bernardo Romão Correa Netto – coronel do Exército;
  • Estevam Cals Theophilo Gaspar de Oliveira – general da reserva do Exército;
  • Fabrício Moreira de Bastos – coronel do Exército;
  • Hélio Ferreira Lima – tenente-coronel do Exército;
  • Márcio Nunes de Resende Júnior – coronel do Exército;
  • Rafael Martins de Oliveira – tenente-coronel do Exército;
  • Rodrigo Bezerra de Azevedo – tenente-coronel do Exército;
  • Ronald Ferreira de Araújo Júnior – tenente-coronel do Exército;
  • Sérgio Ricardo Cavaliere de Medeiros – tenente-coronel;
  • Wladimir Matos Soares – policial federal.

Interrogatório virtual dos réus

O interrogatório dos réus do núcleo 3, diferente daqueles do núcleo 1, será realizado de forma virtual. O primeiro a ser ouvido será Bernardo Romão Correa Netto, seguido pelos demais réus em ordem alfabética. Todos os acusados têm a obrigatoriedade de estarem presentes na sessão virtual, com os advogados podendo acompanhar ao lado de seus clientes durante as perguntas.

Esse evento tem gerado grande repercussão, à medida que investigações sobre tentativas de golpe no Brasil frente à recente transição de poder seguem causando inquietação na população e debates acalorados no cenário político.

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