O presidente do Paraguai, Santiago Peña, renunciou ao cargo nesta quarta-feira, 5 de novembro de 2026, após perder o apoio do Partido Colorado no Congresso em meio à crise do Ueno Bank, que bloqueou contas e investimentos de cerca de 40% da população e paralisou o comércio no país.
A renúncia não impediu a abertura de um processo de impeachment. A medida foi aprovada pelos 78 deputados presentes na sessão, e o julgamento político será conduzido pelo Senado.
Economista de direita, Peña foi eleito em abril de 2023, aos 44 anos, com ampla margem e em sua primeira disputa nacional. A vitória manteve o Partido Colorado no poder, apesar das divisões internas e de acusações de corrupção contra dirigentes da legenda.
Peña chegou à política com o apoio do ex-presidente Horacio Cartes, que governou o Paraguai de 2013 a 2018, o filiou ao Partido Colorado e o indicou para o Ministério da Economia. Antes disso, o economista estudou na Universidade Columbia, em Nova York, trabalhou por um período no Fundo Monetário Internacional e integrou a direção do Banco Central do Paraguai.
Durante a carreira política, adversários o chamaram de “secretário de Cartes”. Peña também foi criticado por afirmar que o ex-ditador Alfredo Stroessner, que governou o país de 1954 a 1989, havia levado estabilidade ao Paraguai, embora tenha reconhecido restrições a liberdades e direitos humanos durante o regime.
Conservador, Peña se posicionava contra a legalização do aborto e defendia o que chamava de família tradicional. Na política externa, declarou ter um laço fraternal com Israel e afirmou durante a campanha que pretendia transferir novamente a embaixada paraguaia para Jerusalém.
Uma das principais promessas de campanha de Peña era criar 500 mil postos de trabalho. A crise no Ueno Bank, segundo as informações apresentadas, atingiu cerca de 40% da população e interrompeu o comércio paraguaio.
Fonte: O Globo