O presidente do Paraguai, Santiago Peña, renunciou ao cargo nesta quinta-feira, 5 de novembro de 2026, pressionado pelo iminente início de um processo de impeachment na Câmara dos Deputados após o colapso do banco digital Ueno.
Segundo as informações divulgadas, o Banco Central identificou rombos e insuficiência de caixa ligados a empréstimos concedidos a empresas associadas ao grupo controlador. A liquidação da instituição bloqueou o acesso aos recursos de cerca de 3 milhões de poupadores e reteve aproximadamente US$ 850 milhões em depósitos públicos, incluindo verbas do fundo previdenciário.
Peña, economista e ex-ministro da Fazenda, assumiu a Presidência em 2023 com o apoio do ex-presidente Horacio Cartes. A oposição o acusou de conflito de interesses e omissão na fiscalização, enquanto o presidente declarou que renunciava para buscar a estabilidade da nação e o respeito à democracia.
A crise se soma a outros episódios de instabilidade política. Em 2012, Fernando Lugo foi destituído pelo Congresso em um processo de juízo político concluído em menos de 48 horas, após o confronto de Curuguaty, que deixou 17 mortos.
Em 2013, a volta do Partido Colorado ao poder, com a eleição de Horacio Cartes, foi acompanhada por denúncias de demissões motivadas por razões políticas no funcionalismo público. Em 2019, uma ata diplomática secreta com o Brasil sobre a compra de energia de Itaipu provocou uma crise no governo de Mario Abdo Benítez e ameaçou levar o presidente a um processo de impeachment.
Fonte: O Globo