Os democratas foram projetados pela CNN como vencedores da disputa pela Câmara dos Representantes dos Estados Unidos na eleição de meio de mandato realizada na terça-feira, em resultado que pode limitar os últimos anos do segundo mandato de Donald Trump.
Com a maioria na Casa, o partido poderá bloquear projetos republicanos sem negociação, comandar comissões, exigir documentos e depoimentos e abrir investigações sobre integrantes do governo. Entre os temas citados estão possíveis conflitos de interesses envolvendo a família Trump, contratos públicos e ações de autoridades.
A disputa pelo Senado permanece incerta. Mesmo com o controle da Câmara, os democratas precisariam da aprovação do Senado e da sanção presidencial para transformar suas propostas em lei.
O líder da minoria democrata, Hakeem Jeffries, que poderá assumir a presidência da Câmara, prepara uma agenda para as primeiras 100 horas da nova legislatura. Entre as medidas estão a restauração de subsídios para planos de saúde, a reversão de cortes no Medicaid, o fim de tarifas comerciais adotadas por Trump e a exigência de autorização do Congresso para a continuidade da guerra no Irã.
A oposição também pretende cobrar esclarecimentos sobre documentos relacionados ao financista Jeffrey Epstein. O Departamento de Justiça divulgou cerca de 3,5 milhões de páginas, mas persistem questionamentos sobre materiais não publicados, informações ocultadas e a exposição de nomes de vítimas.
Parte dos democratas defende um novo processo de impeachment contra Trump, enquanto lideranças avaliam que a iniciativa teria poucas chances de resultar na destituição. A Câmara pode aprovar o impeachment por maioria simples, mas a condenação no Senado exige dois terços dos votos, ou 67 dos 100 senadores.
Outras propostas discutidas pelos democratas incluem o aumento do salário mínimo, a proibição da negociação de ações por parlamentares, a ampliação da responsabilização do Serviço de Imigração e Alfândega (ICE), licença médica remunerada e férias remuneradas.
Uma maioria democrata no Senado também permitiria bloquear ou atrasar indicações de ministros, embaixadores, juízes federais e integrantes da Suprema Corte. Para superar a obstrução parlamentar em grande parte dos projetos, porém, são necessários 60 votos, cenário considerado improvável para a oposição.
Fonte: O Globo