O Brasil manteve a maior taxa de juro real entre 40 países monitorados após o Banco Central deixar a Selic em 13,75% ao ano nesta quarta-feira, 4 de novembro de 2026. Segundo levantamento da MoneYou e da Lev Intelligence, o juro real brasileiro ficou em 9,49% considerando a inflação projetada para os 12 meses seguintes.
A Turquia aparece em segundo lugar, com juro real de 7,77% e taxa nominal de 36% ao ano. Argentina, Rússia e Colômbia vêm na sequência, com taxas reais de 6,8%, 6,57% e 4,05%, respectivamente.
O levantamento também aponta que o Brasil ocupa a quarta posição no ranking de juros nominais, atrás de Turquia, Argentina e Rússia. A taxa brasileira supera as de Colômbia, África do Sul e México.
Para Jason Vieira, economista-chefe da MoneYou e responsável pelo estudo, fatores externos e a volatilidade dos mercados contribuíram para uma postura mais conservadora das autoridades monetárias. Ele citou impactos sobre as projeções de inflação e a pressão sobre o real e a curva de juros.
O ex-diretor de Política Econômica do Banco Central Sérgio Werlang associou a liderança brasileira ao nível da dívida pública em relação ao tamanho da economia. Segundo ele, a relação entre dívida e Produto Interno Bruto chegou a 82,9% em setembro.
Solange Srour, diretora de macroeconomia para o Brasil no braço de gestão de fortunas do UBS, também apontou a condução fiscal como fator relevante. Ela citou ainda a baixa potência da política monetária e fragilidades institucionais, além de defender mudanças nas despesas obrigatórias, no crédito direcionado e na segurança jurídica.
O estudo considera a taxa de juros a mercado para o vencimento mais líquido 12 meses à frente e a inflação projetada para o mesmo período. Dez países apresentaram juro real negativo, entre eles Japão, Suíça, Austrália e Suécia.
Fonte: O Globo