Um touro e um jumento, ambos machos, foram observados em uma relação sexual e social recorrente em uma área de pastagem na Etiópia entre 6 e 19 de março de 2026, segundo pesquisadores da Universidade de Pisa, na Itália.
Batizados de Achille e Patroclo, os animais participaram de 51 episódios de monta, dos quais 34 tiveram penetração. Eles também lambiam, esfregavam o corpo e permaneciam próximos quando dividiam o pasto.
A equipe encontrou os animais por acaso durante um trabalho de campo sobre macacos gelada nos planaltos etíopes. Os pesquisadores passaram a acompanhar os encontros depois de perceberem a aproximação entre o touro e o jumento.
Patroclo não tentava escapar nem reagia com coices às investidas de Achille. Em várias ocasiões, aproximava-se do touro, oferecia a região traseira e dava pequenas mordidas; quando Achille tentou montar outro jumento, o animal reagiu de forma defensiva.
Os dois pertenciam a proprietários diferentes, compartilhavam o pasto apenas em determinados dias e passavam as noites separados. Mesmo com acesso a fêmeas e a outros animais de suas próprias espécies, demonstravam preferência recorrente pela companhia um do outro.
Para os pesquisadores, a particularidade do caso está na continuidade do vínculo, e não apenas na atividade sexual entre animais de espécies diferentes. Martina Francesconi, autora principal do estudo, afirmou que o comportamento sexual fazia parte de uma relação social mais ampla e seletiva.
A professora Elisabetta Palagi levantou a possibilidade de que os contatos sexuais fortaleçam vínculos sociais, mantenham relações entre os animais ou reduzam tensões. Os cientistas também consideram uma combinação de motivações sociais e sexuais, mas nenhuma dessas hipóteses foi comprovada.
O estudo observacional foi publicado em 2 de novembro de 2026 na revista Current Biology. Após o período de observação, os animais foram levados para áreas de pastagem distintas, e a equipe pretende investigar se eles voltarão a se encontrar.
Fonte: O Globo