Rússia e Ucrânia voltaram a trocar ataques nesta terça-feira, 3 de novembro de 2026, após o fim de uma breve trégua na região de Kherson, no sul ucraniano. Segundo o presidente Volodimir Zelensky, os bombardeios deixaram ao menos 73 feridos na Ucrânia, enquanto o prefeito de Moscou afirmou que 493 drones foram interceptados rumo à capital russa.
Em Kharkiv, o chefe da administração regional, Oleh Syniehubov, disse que um ataque atingiu uma passagem entre edifícios de um complexo hospitalar. Zelensky informou que 226 pacientes foram transferidos, que o departamento de cardiologia foi destruído e que ainda havia pessoas sob os escombros.
O prefeito de Kharkiv, Igor Terekhov, afirmou que a cidade foi alvo de um ataque combinado com mísseis balísticos e bombas aéreas guiadas. O Exército ucraniano também relatou lançamentos contra Kiev, Dnipro e Sumy.
Em Dnipropetrovsk, o governador Oleksandr Ganzha declarou que infraestruturas críticas foram atingidas em Dnipro e Kryvyi Rih. A Polônia acionou sistemas de defesa aérea para proteger o espaço aéreo próximo à fronteira com a Ucrânia.
De acordo com Zelensky, ataques russos contra a região de Zaporizhzhia, realizados após o fim da trégua no domingo, mataram pelo menos 29 pessoas e deixaram outras cinco feridas. A suspensão dos ataques havia permitido a entrada de uma missão humanitária em Oleshky, cidade sob ocupação russa.
O líder ucraniano afirmou que a Rússia lançou, na madrugada, 289 drones de ataque, 17 mísseis balísticos e 59 mísseis de cruzeiro. A informação não foi acompanhada, no conteúdo disponível, de uma confirmação independente.
Na Rússia, o prefeito de Moscou, Sergei Sobyanin, afirmou que a defesa aérea derrubou ou destruiu a maioria dos 493 drones que teriam seguido em direção à região da capital entre a noite de 2 de novembro e a manhã de 3 de novembro.
Apesar da escalada, o Kremlin confirmou que delegações da Rússia, da Ucrânia e dos Estados Unidos participarão de novas negociações em Abu Dhabi, nos dias 10 e 11 de novembro. O porta-voz Dmitri Peskov disse que a delegação russa será chefiada novamente pelo negociador Vladimir Medinski.
O enviado americano Steve Witkoff afirmou que representantes dos Estados Unidos também se reunirão em Bruxelas com autoridades da França, Alemanha, Reino Unido, União Europeia e Otan para discutir possíveis garantias de segurança para a Ucrânia.
As negociações estão paralisadas por divergências. Moscou exige a retirada das tropas ucranianas da região de Donetsk, condição rejeitada por Kiev, que afirma que a medida deixaria outras áreas vulneráveis a novos ataques russos.
Fonte: O Globo