As eleições legislativas de meio de mandato nos Estados Unidos, realizadas nesta terça-feira (3), podem favorecer o real e a Bolsa brasileira caso o resultado contenha as expectativas de expansão do déficit fiscal e de alta dos juros americanos.
Uma eventual conquista de uma ou das duas Casas do Congresso pelos democratas poderia limitar a agenda econômica do presidente Donald Trump. Atualmente, os republicanos controlam a Câmara dos Representantes e o Senado.
Pesquisa Reuters/Ipsos divulgada na segunda-feira (2) mostrou que 46% dos eleitores preferem os democratas no controle do Congresso, ante 38% favoráveis aos republicanos. A aprovação de Trump está em 32%, segundo o levantamento.
Para Mauro Miranda, professor de finanças do Insper e sócio-gestor da Stellaris Investimentos, uma vitória democrata poderia dificultar a aprovação de novas reduções de impostos defendidas pelos republicanos e conter a expansão do déficit americano.
Segundo Miranda, juros menores nos Estados Unidos tendem a reduzir a pressão sobre o real. Isso ocorre porque rendimentos mais altos dos títulos do Tesouro americano podem levar investidores a retirar recursos de mercados emergentes, aumentando a demanda por dólares.
Cristiano Correa, professor e coordenador de pós-graduação em Negócios do Ibmec São Paulo, afirma que um cenário de maior previsibilidade fiscal e estabilidade dos juros poderia estimular a entrada de capital estrangeiro no Brasil. Ele pondera, porém, que um Congresso dividido também pode ampliar os conflitos políticos e dificultar a aprovação do orçamento americano.
A manutenção do controle republicano nas duas Casas poderia dar mais liberdade à agenda econômica de Trump, com espaço para medidas de expansão fiscal e aumento do endividamento. Nesse caso, juros americanos mais elevados poderiam fortalecer o dólar e pressionar os ativos de países emergentes.
Os especialistas ressaltam que os efeitos sobre o Brasil não serão automáticos. Incertezas domésticas relacionadas à condução da política econômica podem limitar eventuais ganhos no câmbio, na Bolsa e nos juros, mesmo em um cenário internacional favorável.
Fonte: O Globo