O refrão “olê, olê, olê, olá”, associado às campanhas de Lula no Brasil, foi ouvido no encerramento do GP do México de Fórmula 1, uma semana após a reeleição do presidente. A música tocou enquanto o público ocupava a pista do Autódromo Hermanos Rodríguez e aguardava a premiação de Kimi Antonelli.
A escolha musical ficou a cargo do Disclosure, projeto dos irmãos e DJs britânicos Guy e Howard Lawrence, anunciado como atração do encerramento da corrida. Não há, porém, registro de declaração pública de apoio do grupo a Lula nem confirmação de que os músicos conhecessem o significado da versão brasileira.
A melodia surgiu em 1985, quando o Anderlecht conquistou seu 18º título belga. O cantor Grand Jojo, nome artístico de Jules Jean Vanobbergen, gravou “Anderlecht Champion” com jogadores e integrantes da comissão técnica do clube.
Para a Copa do Mundo de 1986, disputada no México, Grand Jojo adaptou a composição, substituiu “allez” por “olé” e lançou “E Viva Mexico”. A música apoiava a seleção belga, não era mexicana nem o tema oficial do Mundial. A Bélgica chegou à semifinal, e o canto se espalhou entre torcedores de outros países.
No Brasil, o refrão passou das arquibancadas para a política. Em entrevista concedida em 23 de fevereiro de 1990, após a derrota para Fernando Collor, Lula recordou uma manifestação no Rio de Janeiro, ainda no primeiro turno de 1989, em que o público cantou a melodia.
O depoimento, reproduzido posteriormente pela revista Perseu, da Fundação Perseu Abramo, não identifica quem criou a adaptação brasileira. Aloizio Mercadante atribuiu o canto a uma iniciativa espontânea do público, enquanto o jornalista Breno Altman o relacionou à torcida do Flamengo.
Desde então, a estrutura simples do refrão permitiu a troca do nome homenageado e sua circulação em diferentes eventos. Em 2026, a música voltou a aparecer nas celebrações da vitória de Lula e, poucos dias depois, no encerramento do GP do México.
Fonte: O Globo