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domingo, 01 de novembro de 2026

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ELEIÇÕES

Mercados de previsão geram preocupação nas eleições dos EUA

Especialistas alertam que probabilidades de plataformas como Polymarket e Kalshi podem ser confundidas com resultados garantidos nas eleições dos EUA.

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Durante as eleições legislativas de 2026 nos Estados Unidos, plataformas de previsão como Polymarket e Kalshi ampliaram a oferta de contratos ligados a resultados eleitorais, gerando preocupação entre especialistas sobre a disseminação de informações falsas e a interpretação equivocada das probabilidades.

Os percentuais exibidos pelas plataformas representam estimativas, mas podem ser interpretados como resultados praticamente garantidos. Especialistas também alertam que grupos políticos podem tentar influenciar essas probabilidades e que uma divergência entre a previsão e o resultado das urnas pode alimentar acusações infundadas de fraude.

As duas empresas permitem que usuários negociem contratos cujo valor depende de resultados eleitorais. As probabilidades divulgadas por elas passaram a aparecer também na cobertura de grandes veículos de comunicação e nas redes sociais.

Davina Hurt, diretora de ética governamental do Centro Markkula de Ética Aplicada da Universidade de Santa Clara, afirmou que as plataformas se tornaram parte da forma como os americanos entendem as eleições. Segundo ela, uma probabilidade elevada não garante o resultado e uma previsão errada pode ser interpretada pelo público como uma escolha equivocada.

A Kalshi afirma que seus dados complementam as pesquisas eleitorais tradicionais e reconhece que as probabilidades não garantem a confirmação de um resultado. A empresa também sustenta que eventuais tentativas de manipulação tendem a ser compensadas por negociações de outros usuários.

Um episódio nas primárias para a Prefeitura de Los Angeles, em junho, expôs o risco de confusão entre previsões e resultados oficiais. Após a derrota do republicano Spencer Pratt, influenciadores de direita fizeram acusações de fraude com base em estimativas que indicavam chances de avanço do candidato à eleição geral.

Depois do episódio, a Kalshi orientou parceiros a não questionarem resultados oficiais sem fundamentos e afirmou que poderia romper contratos com quem fizesse acusações sem provas de manipulação ou fraude. A Polymarket não respondeu aos pedidos de comentário, segundo a AFP.

Jared DeMarinis, responsável pela administração das eleições em Maryland, pediu uma avaliação sobre a legalidade das apostas eleitorais no estado e proibiu mesários de apostar em resultados. Para ele, a entrada de dinheiro aumenta o risco de questionamento da legitimidade das eleições.

No Brasil, a oferta de contratos vinculados a resultados eleitorais está proibida desde maio de 2026. Segundo o texto original, uma resolução do Conselho Monetário Nacional passou a impedir operações financeiras relacionadas a acontecimentos políticos e eleitorais, medida que também levou ao bloqueio de Polymarket e Kalshi no país.

Fonte: g1

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