O publicitário Raul Rabelo, que participou da campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, defendeu que o governo mantenha uma comunicação contínua e mais próxima da população. Em entrevista publicada pelo jornal O Globo neste domingo, 1º de novembro de 2026, ele afirmou que não é possível recomeçar o processo de comunicação a cada quatro anos.
Rabelo disse que a campanha de reeleição precisava apresentar o legado do governo e negou que essa estratégia tenha sido um erro no primeiro turno. Segundo ele, a crise do Banco Master contribuiu para uma desmobilização do eleitorado, o que levou a campanha a acender uma “luz vermelha” após Flávio Bolsonaro terminar aquela etapa à frente de Lula.
De acordo com o publicitário, o segundo turno trouxe uma mobilização mais intensa e exigiu maior ênfase na comparação entre projetos, biografias e governos. Ele afirmou que a campanha passou a explorar com mais força os riscos que, na avaliação da equipe, estariam associados a uma eventual volta do bolsonarismo.
O marqueteiro atribuiu ao presidente Lula o comando da campanha e disse que Edinho Silva, presidente do PT, atuou como coordenador. Também citou a participação de Camilo Santana, Rafael Fonteles e Rui Costa nas mudanças realizadas durante o segundo turno.
Rabelo afirmou que a campanha incorporou jovens candidatos eleitos, movimentos estudantis e ações digitais coordenadas com o deputado André Janones. Sobre o chamado “Exército do Lula”, criado por Janones no WhatsApp, disse que o deputado tinha autonomia, mas seguia linhas estratégicas combinadas com a campanha.
Questionado sobre conteúdos retirados do ar pelo Tribunal Superior Eleitoral por conterem informações falsas, Rabelo negou que a campanha tenha trabalhado com desinformação. Segundo ele, eventuais erros não teriam ocorrido com a intenção de produzir notícias falsas.
Para o publicitário, o governo precisa disputar pautas e explicar melhor suas políticas públicas, sem necessariamente repetir a temperatura do segundo turno. Ele também defendeu a regulação das redes sociais e afirmou que a experiência eleitoral pode ajudar o campo progressista a construir uma comunicação mais permanente.
Rabelo disse não saber se Sidônio Palmeira permanecerá na Secretaria de Comunicação Social e afirmou que não pretende integrar o governo. “Não tenho perfil. Não passa pela minha cabeça”, declarou.
Fonte: O Globo