A bancada do PL e senadores de oposição rejeitam um acordo para apoiar a reeleição de Davi Alcolumbre (União-AP) e pretendem lançar Rogério Marinho (PL-RN) à Presidência do Senado em 4 de novembro de 2026.
Parlamentares do PL se reúnem na próxima semana para confirmar a candidatura. A legenda terá 29 senadores a partir de fevereiro de 2027, mais de um terço das 81 cadeiras da Casa.
Marinho já recebeu o aval de Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e do senador eleito Carlos Bolsonaro (PL-SC). A senadora Tereza Cristina (PP-MS), ex-ministra de Jair Bolsonaro, também tenta viabilizar uma candidatura, mas integrantes da oposição defendem que apenas um nome enfrente Alcolumbre na etapa final.
O líder do PL no Senado, Carlos Portinho (RJ), afirma que o tamanho da bancada pode ampliar a influência da oposição e alterar a relação entre o Congresso e o Judiciário. “Hora de unidade. Se amarrar direitinho, seremos fortes. Mais uma batalha. Incessante. Há chance de recuperar o mínimo equilíbrio entre os Poderes. Precisamos da maioria”, disse.
Alcolumbre tentou construir um acordo que incluísse um aceno a Jair Bolsonaro. Entre as alternativas discutidas estavam um indulto presidencial, uma anistia ampla aprovada pelo Congresso ou a retomada da proposta de redução de penas, suspensa pelo Supremo Tribunal Federal.
A articulação não avançou e encontrou resistência entre parlamentares da oposição. Hamilton Mourão (Republicanos-RS), ex-vice-presidente de Bolsonaro, disse que Alcolumbre não teria condições de garantir uma solução para a situação judicial do ex-presidente. Damares Alves (Republicanos-DF) também rejeitou vincular seu apoio à reeleição a uma negociação sobre o caso.
Na eleição anterior para o comando do Senado, em 2025, o PL apoiou Alcolumbre na expectativa de avanços na pauta da anistia, mas a tentativa de aprovar uma medida ampla não prosperou. O deputado Carlos Jordy (PL-RJ), eleito para o Senado, afirmou que um novo apoio repetiria um acordo sem garantias.
A oposição também defende o impeachment do ministro Alexandre de Moraes, do STF, que é considerado adversário político pelo bolsonarismo. Integrantes desse grupo avaliam que Alcolumbre não apoiaria o afastamento do ministro e interpretam a tentativa de aproximação como uma forma de reduzir a pressão sobre o Supremo.
Com os 29 senadores do PL e três eleitos pelo Novo, a candidatura de Marinho parte de uma base potencial de 32 votos. Os aliados apostam em dissidências nos partidos de centro para diminuir a vantagem de Alcolumbre, que conta com o apoio da direção nacional da federação União-PP e busca alianças com PT, PSB, PDT e Rede.
A federação União-PP terá 11 senadores e está dividida. Tereza Cristina e o senador eleito Guilherme Derrite (PP-SP) estão entre os parlamentares que resistem a apoiar Alcolumbre. O presidente do Senado também procurou individualmente nomes como o ex-presidente da Câmara Arthur Lira (PP-AL), que ainda não declarou seu apoio.
A votação secreta para a Presidência do Senado permite que parlamentares contrariem as orientações partidárias sem que seus votos sejam identificados. Republicanos, Podemos e PSDB, que somam 16 senadores, ainda não indicaram qual candidatura apoiarão.
Fonte: O Globo