Ir para o conteúdo

sexta-feira, 30 de outubro de 2026

Jornalismo local, independente e responsável

Jornal Diário do Povo

ECONOMIA

PF aponta danos ao BRB em negócio com o Banco Master

PF afirma que negócio do Banco Master com o BRB gerou danos patrimoniais, reputacionais e humanos, além de riscos ainda em apuração.

Compartilhe
WhatsApp

A Polícia Federal rebateu, em relatório parcial da Operação Compliance Zero, as alegações de Daniel Vorcaro de que não houve prejuízo ao Banco de Brasília (BRB) na negociação de carteiras de crédito do Banco Master. Para os investigadores, os argumentos do ex-banqueiro são incompatíveis com as provas reunidas e os impactos incluem danos patrimoniais, prudenciais, reputacionais e humanos.

Vorcaro, que foi indiciado por suposta gestão fraudulenta, lavagem de dinheiro e liderança de organização criminosa, afirmou que os créditos problemáticos foram substituídos por outros e que, por isso, não haveria prejuízo para o BRB. A PF afirmou que a substituição contratual não recompôs necessariamente o patrimônio do banco nem eliminou riscos associados aos ativos recebidos.

Segundo a corporação, o próprio BRB aponta cerca de R$ 2,7 bilhões em perdas reconhecidas em ação de indenização contra o Master. A investigação identificou fraudes em carteiras que somavam R$ 13,3 bilhões, total ou majoritariamente sem lastro, e indicou que R$ 2,9 bilhões permaneceram sem substituição considerada válida.

A PF também afirmou que a exposição do BRB pode superar o prejuízo mínimo de R$ 2,7 bilhões, porque ainda depende da análise completa de auditorias sobre os ativos apresentados em substituição. O relatório cita ainda o aumento de capital aprovado em abril, de até R$ 8,8 bilhões, e a ausência de divulgação das demonstrações financeiras do banco.

Entre os efeitos apontados está a incerteza para cerca de 5 mil empregados e suas famílias. A corporação também mencionou a preparação de um programa de demissão voluntária e afirmou que a crise passou a afetar a organização interna do banco, a manutenção de postos de trabalho e a segurança econômica dos funcionários.

O relatório cita ainda danos reputacionais, com possível comprometimento da confiança na capacidade do BRB de identificar, mensurar e controlar os riscos assumidos. Para a PF, os efeitos ganham relevância porque o banco é controlado pelo Governo do Distrito Federal, administra recursos públicos, opera programas sociais e presta serviços bancários a um amplo grupo de clientes.

Em depoimento divulgado em 30 de outubro, Vorcaro defendeu o arquivamento do inquérito e negou fraude na aquisição de créditos pelo BRB. Ele e outros executivos foram indiciados pela venda de R$ 17,5 bilhões em créditos ao banco entre julho de 2024 e outubro de 2025; desse total, segundo a PF, R$ 12,2 bilhões eram créditos podres sem comprovação adequada de existência.

Fonte: O Globo

Leia também