O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), admitiu a possibilidade de disputar a Presidência da República em 2030, quatro dias após a derrota de Flávio Bolsonaro (PL-RJ) para Luiz Inácio Lula da Silva (PT). A declaração provocou incômodo entre integrantes do PL, que avaliaram a manifestação como uma antecipação da disputa pela liderança da direita.
Aliados de Flávio afirmam que o senador pretende continuar à frente da oposição e pode anunciar nos próximos dias uma nova candidatura presidencial para 2030. A possibilidade, segundo esses interlocutores, é discutida com Eduardo Bolsonaro e aliados nos Estados Unidos.
Parte do PL considera que Tarcísio se apresentou como alternativa antes de a direita assimilar o resultado eleitoral. O desconforto aumentou porque o governador apoiou a candidatura de Flávio e defendeu publicamente a escolha de Jair Bolsonaro.
Parlamentares da oposição também avaliam que é cedo para discutir a sucessão presidencial. Segundo eles, a reorganização da oposição e a definição de sua atuação no Congresso a partir de 2027 ainda devem influenciar o cenário político.
Tarcísio era cotado para representar o campo bolsonarista na eleição deste ano, mas Jair Bolsonaro optou por lançar o filho. O governador permaneceu na disputa pela reeleição em São Paulo, participou de agendas com Flávio e colaborou na preparação do candidato para debates.
Em entrevista ao jornal O Estado de S. Paulo, Tarcísio disse que uma eventual candidatura dependerá do desempenho de seu segundo mandato no governo paulista. "Terminando bem o segundo mandato, obviamente abre uma possibilidade. Mas isso é uma coisa que você avalia em grupo, não sozinho", afirmou. Ele acrescentou que sua prioridade é cumprir o mandato e que "2030 é outra conversa".
Fonte: O Globo