A viagem do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) aos Estados Unidos, após a derrota para Luiz Inácio Lula da Silva (PT), intensificou a disputa entre alas do bolsonarismo sobre o futuro político do parlamentar e o comando da oposição. As divergências vieram a público na quarta-feira (28), quando Paulo Figueiredo criticou aliados de Flávio em seu podcast.
O grupo ligado a Eduardo Bolsonaro e a Figueiredo apoiou a saída do senador do Brasil diante do temor de uma eventual prisão. Integrantes da campanha, advogados e aliados de perfil mais pragmático defendiam que Flávio permanecesse no país, reconhecesse o resultado eleitoral e assumisse a liderança da direita.
A permanência nos Estados Unidos gerou dúvidas dentro do PL sobre a capacidade de Flávio exercer essa função à distância, sobretudo diante da perspectiva de ficar sem mandato a partir do próximo ano. Parte do partido avalia que a ausência prejudica sua articulação com as bancadas da Câmara e do Senado.
Durante a campanha, aliados tentaram manter Flávio distante de Eduardo Bolsonaro e Paulo Figueiredo, considerados excessivamente ideológicos por esse grupo. A estratégia buscava apresentar o senador como um político mais aberto ao diálogo, mas não resultou na vitória sobre Lula.
Após a eleição, Flávio foi pressionado a reconhecer o resultado e a evitar novos confrontos com a Justiça Eleitoral. Ele recuou da intenção de pedir a anulação do pleito, mas manteve a possibilidade de buscar a cassação da chapa petista.
Em uma carta encaminhada à imprensa e inicialmente compartilhada por Paulo Figueiredo, Flávio usou tom golpista e se autodeclarou presidente do Brasil. A formulação foi alterada após a repercussão negativa, e integrantes da campanha questionaram a autoria do texto por considerarem a linguagem diferente da postura adotada pelo senador nos meses anteriores.
No podcast transmitido no X, Figueiredo defendeu a viagem e acusou antigos aliados de agir em benefício próprio. Ele afirmou que essas pessoas desejariam ver Flávio preso para ocupar seu espaço político e criticou quem classificava sua atuação e a de Eduardo Bolsonaro como radical.
Uma pessoa próxima ao senador afirmou que a carta expressa convicções que Flávio nunca abandonou. Segundo esse interlocutor, depois da eleição o parlamentar passou a ter liberdade para falar diretamente com a base bolsonarista, sem as restrições da estratégia eleitoral.
Fonte: O Globo