A Polícia Federal apura como o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) deixou Brasília e chegou a Foz do Iguaçu (PR), na fronteira com a Argentina, após a eleição presidencial de 25 de outubro de 2026, e investiga se ele recebeu auxílio de empresários e aliados políticos.
Os investigadores analisam hipóteses de deslocamento por terra, avião particular ou uma combinação dos dois meios. Na noite de segunda-feira (26), por volta das 19h50, o comboio usado pelo senador em Brasília deixou o condomínio onde ele mora, mas não há informação sobre quem estava nos veículos.
A PF também verifica se houve apoio logístico e financeiro de empresários e aliados da família Bolsonaro. Os investigadores apuram ainda uma possível participação do governo argentino, comandado por Javier Milei, na saída do senador.
Flávio é investigado por suspeitas de lavagem de dinheiro em um inquérito que também envolve o advogado e amigo Willer Tomaz, que está nos Estados Unidos desde agosto. Como não é réu nem considerado foragido, a polícia não o trata dessa forma.
A apuração sobre a saída do país ocorre porque o senador teria descumprido uma ordem judicial para entregar os passaportes e não deixar o Brasil. Na segunda-feira, ele foi intimado pela PF a entregar os documentos em 24 horas, por determinação do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, que também proibiu o contato entre Flávio e Tomaz.
Segundo a investigação, Flávio afirmou em vídeo que não fugiria, mas não entregou os passaportes, que foram cancelados. O governo argentino informou que ele entrou no país às 22h50 de terça-feira (27), pela Ponte Internacional Tancredo Neves, usando um passaporte italiano.
De acordo com as informações reunidas pela PF, o senador seguiu de jatinho para Guayaquil, no Equador, e depois embarcou para o aeroporto Opa Locka, em Miami, onde desembarcou às 10h24, no horário de Brasília. O governo dos Estados Unidos havia indicado que concederia vistos a Flávio e à família, e informou que a entrada ocorreu por razões humanitárias.
O presidente americano Donald Trump disse que permitiria a entrada do senador por considerá-lo uma "pessoa decente" e classificou a eleição brasileira como "terrível". Trump afirmou, porém, que não pretende interferir no Brasil.
Após chegar aos Estados Unidos, Flávio divulgou uma carta em que se declarou presidente eleito. Minutos depois, editou o texto e passou a se apresentar como "o líder do Brasil".
A investigação sobre lavagem de dinheiro começou a partir de um inquérito da PF no Rio Grande do Sul sobre suspeitas de evasão de divisas e lavagem por meio de plataformas de apostas esportivas. Os policiais encontraram indícios de que Tomaz controlaria a Rede Loto, autorizada pelo governo do Rio de Janeiro a operar em maio de 2023.
A análise de mensagens, e-mails e dados do celular de Tomaz levou os investigadores a identificar vínculos com Flávio, e o caso foi enviado ao STF. Um e-mail indica que o senador aparecia como "usuário master" de uma conta bancária conjunta com o advogado, informação negada pelos dois.
Segundo a PF, a conta no Santander estava em nome da Alcazar Holdings e era administrada por Tomaz. Uma troca de e-mails indica que Flávio teria permanecido vinculado à conta até maio de 2025, quando uma secretária solicitou ao banco a retirada dos nomes dos dois, pedido que teria sido confirmado pela instituição.
Fonte: O Globo