O Fundo Monetário Internacional (FMI) recomendou à Argentina que use os ganhos da estabilização financeira para ampliar a geração de empregos e os investimentos, afirmou nesta quinta-feira (29) a porta-voz da instituição, Julie Kozack.
Segundo Kozack, a equipe técnica do Fundo e as autoridades argentinas chegaram a um entendimento sobre medidas para transformar a estabilização em crescimento mais sólido e criação de postos de trabalho. A porta-voz avaliou o desempenho macroeconômico do país como “impressionante”.
Uma missão técnica do FMI também chegou a um acordo com o governo argentino para liberar cerca de US$ 900 milhões do programa de crédito de quatro anos. O conselho da instituição deve analisar a nova parcela no início de dezembro.
O Acordo de Facilidades Estendidas foi aprovado há um ano, no valor de US$ 20 bilhões. O FMI tem elogiado o ajuste nos gastos públicos promovido pelo governo de Javier Milei, mas reconhece que as medidas ainda não resultaram na criação de empregos.
A União Industrial Argentina afirmou recentemente que cerca de 90 mil postos de trabalho foram perdidos desde agosto de 2023. Para o FMI, a Argentina conseguiu conter a inflação e o déficit público, mas precisa estimular o investimento privado e apoiar a demanda interna.
Kozack defendeu maior flexibilidade no mercado de trabalho para favorecer a contratação no setor privado e citou o avanço de concessões de infraestrutura já adjudicadas. De acordo com a porta-voz, foram aprovados projetos avaliados em mais de US$ 70 bilhões, além de reformas trabalhistas e de mercado aprovadas no início deste ano.
Sobre uma possível alta do risco-país, o FMI recomendou que a Argentina mantenha a execução do programa, especialmente a acumulação de reservas internacionais líquidas.
Fonte: O Globo